quarta-feira, 30 de julho de 2008

AS RUAS DA MINHA CIDADE (IV)

Rua Mário Maciel Costa (clique na imagem para ampliar)
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Uma das minhas preferidas, a rua Mário Maciel Costa fica quase isolada na parte oeste do Arroio Grande, embora incrivelmente bem situada, a apenas duas quadras da Dr. Monteiro, a rua mais central da nossa cidade.
Ocorre que a expansão urbana do Arroio Grande, verificada na segunda metade do Século passado, deu-se para o norte, em direção à Coxilha do Fogo (parte alta da cidade), e também no rumo leste, pelo surgimento da BR 116, que liga o nosso município à Pelotas - cidade pólo da Região - e também à Jaguarão, hoje saída para o Mercosul.
Em consequência, a rua Mário Maciel Costa tornou-se uma via curta, estreita, limitada ao sul pela proximidade com as águas do Arroio Grande, e, ao norte, com os terrenos que circundam o antigo Ginásio Municipal (atual Escola Aimone), numa extensão de pouco mais de quinhentos metros.
Trata-se, entretanto, de uma rua belíssima, carregada de árvores frondosas - os plátanos, que lembram em muito a periferia de Montevideu, a nostálgica capital uruguaia.
A rua tem esse nome em homenagem a Mário Maciel Costa, eleito intendente do município por 8 anos (1912/1916 e 1916/1920), e que teve entre as suas principais realizações a criação da Usina Elétrica, já ao final do segundo mandato, em 1920.
Consta que o intendente teria também uma veia de sonetista, o que pode explicar, talvez, o fato de ter sido homenageado com a colocação do seu nome em uma das ruas mais poéticas; a rua das pedras irregulares, a rua das sombras, a rua dos plátanos, a belíssima Mário Maciel Costa, uma rua isolada mas, ao mesmo tempo, situada em pleno coração da cidade.
Uma rua que deveria ser celebrada e melhor aproveitada pela sensibilidade daqueles que amam o Arroio Grande.
Uma rua para todos.

3 comentários:

Ricardo Souza disse...

Caro Juninho, volto a comentar tua iniciativa em retratar as ruas de nossa Terrinha, dizendo que na Mario Maciel Costa, naquele muro azul que aparece à esquerda da foto, era, antes da construção do prédio da CRT, que faz frente pela D. Pedro II, era os fundos da casa do Cel. Octávio Esteves, figura famosa da história do Arroio Grande e que também jamais teve qualquer escrito sobre sua vida. Apenas para ilustrar, já nos idos da década de 1940 do século passado, este personagem ganhava prêmios em exposições pecuárias na Capital do Estado, aplicando em suas terras a mais moderna tecnologia na produção de bovinos e ovinos. Oportunamente trarei mais informações sobre este vulto histórico, tudo para que possas informar teus leitores sobre as coisas de nossa terra.

Ricardo Souza disse...

Ah! antes que me esqueça, nosso amigo e companheiro João Garcez foi criado na casa da avó que fica na esquina da rua Mario Maciel Costa esquina com a Dr Dionízio de Magalhães. Muitas aventuras vivemos naquela plácida rua, que era caminho para os banhos no arroio Grande e local de encontro da gurizada.

Pedro Jaime Bittencourt Junior disse...

Carlos.
Comentários "em cima" dos teus comentários:
1) quanto ao Cel. Otávio Esteves: ano passado públiquei uma crônica com o título "A rua da minha infância" (a Dom Pedro II), onde falava "an passant" do Velho Coronel, e sobre o que ele representou para a minha turma de guris, já que quando morreu eu tinha 10 anos de idade.
Era uma figura comentadíssima na cidade, literalmente um coronel.
Já existe alguma literatura sobre ele, do João Félix Soares Neto -"As ameixas do coronel", "O cigarro ensanguentado"...; este último sobre o crime que envolveu o Coronel, em Jaguarão (em 1925, acho), quando ele matou os "dois Amaro" - pai e filho, em caso rumoroso à época.
Desse caso, o Sérgio Canhada tem cópia da decisão do TJ que mmanteve a sentença favorável ao réu, acolhendo a tese de legítima defesa aceita pelo Juiz singular (ou seja, nem chegou a ir a júri).
Também a Cecília Assis Brasil faz algumas referências ao Cel. Esteves, no seu "Diário", publicado (pela LPM, acho) há uns 20 anos.
Mas, realmente, trata-se de um personagem que deveria ser melhor aproveitado pelos nossos "memorialistas", quem sabe o Arnóbio ou algum outro se anima a alguma coisa, quem sabe...
2) Quanto à casa onde o João Garcez foi criado, lembro que ganhei do meu pai (acho que quando fiz 12 ou 13 anos) uma mesa de "snooker" feita pelo seu Ari - pai do João.
Assim que tive notícia da "encomenda", fui muitas vezes até aquela esquina espiar para ver a concretização do presente, até o dia em que ele finalmente saiu de lá, fazendo a alegria da minha turma que, a partir de então, não deixou mais a garagem da nossa casa, jogando intermináveis torneios de sinuca, na mesa perfeita feita pelo seu Ari.
Não tenhas dúvida: ao retratar essas ruas estou revivendo boa parte da minha infância, e de algums gerações do Arroio Grande, acredito.
Abraço.