quinta-feira, 31 de março de 2016

MANIFESTO EM DEFESA DA LEGALIDADE DEMOCRÁTICA E DA SOBERANIA POPULAR


Nós, profissionais da área jurídica radicados no Município de Pelotas, Rio Grande do Sul, todos comprometidos com a defesa da Constituição Federal e com a preservação do Estado Democrático de Direito, que livremente aderimos a este manifesto,

considerando a crise política e institucional em que o Brasil encontra-se atualmente mergulhado, que demanda solução dentro das regras constitucionais e com rigoroso respeito à ordem política e jurídica vigente;

considerando que a Constituição Federal consagra a soberania popular como fundamento (Art. 1º, § único), consubstanciada na escolha dos governantes através do sufrágio universal, pelo voto direto e secreto (Art. 14), para mandatos com durabilidade certa e prevista em lei, independentemente da popularidade do mandatário durante o exercício da representação outorgada pelo povo;

considerando que a imposição de qualquer sanção que implique na destituição de qualquer governante, de qualquer nível, exige a prévia ocorrência da prática de crime no exercício do mandato, com respeito ao devido processo legal;

considerando que os procedimentos escolhidos para debelar a soberania popular aparecem, neste momento de crise, revestidos de duvidosa legalidade, em face da ausência de pressupostos indispensáveis ao seu reconhecimento;

considerando que tal tentativa de solução para a crise volta-se, portanto, à ruptura da institucionalidade; e,

considerando, finalmente, que qualquer desfecho para a crise política e institucional que apareça voltado à fragilização dos direitos e garantias constitucionalmente assegurados, ou que atente contra a soberania popular, ofende igualmente os direitos sociais, econômicos e culturais arduamente conquistados até o presente momento, ainda que estes estejam aquém do desiderato maior perseguido de erradicar a pobreza e a marginalização, e reduzir as desigualdades sociais e regionais em nosso país,

vimos, de público, externar o presente manifesto, fruto da absoluta convicção de que apenas com o rigoroso respeito à soberania popular é que poderemos afirmar e concretizar o Estado Democrático no Brasil, de forma suprema, perene e irretrocedível.

Pelotas, RS, 31 de março de 2016.   

(Seguem as assinaturas)

domingo, 20 de março de 2016

DEMOCRACIA (Pequena contribuição à reflexão)



Filho de mãe professora e de pai advogado aprendi, entre muitos ensinamentos, que a educação é o melhor caminho para a boa reflexão e que não existe estado de direito sem democracia.
Cresci em meio a ditadura militar que se instalou no país e demorei vinte e cinco anos – um quarto de século! – para conhecer e provar o gostinho da “tal democracia”.
Democracia. Não sei bem definir o que significa a palavra, muito embora o conceito clássico da expressão – alguma coisa como “poder do povo” – me diga que é algo que a gente têm que abraçar incondicionalmente.
O que sei – e isto sei não porque me contaram, mas porque com ela tenho coabitado – é que democracia implica em conviver o tempo todo com o pensamento contrário, significa considerar as diferenças e procurar aceitá-las, significa o respeito às pessoas, às instituições e às leis.
A democracia – o conservador Churchill já havia alertado – é o pior dos sistemas, com exceção de todos os demais.
Só a democracia possibilita, por exemplo, que promotores vaidosos e ávidos por aparecer achincalhem com o próprio Ministério Público ao promover denúncias e solicitar prisões totalmente descabidas perante o direito; só a democracia possibilita que juízes parciais e tendenciosos desacreditem o Poder Judiciário ao desrespeitar princípios constitucionais primários, como divulgar conversas de autoridades de Estado que não são sequer objeto de investigação; só a democracia possibilita que uma mídia anti-democrática, embusteira e falaciosa trabalhe abertamente para desestabilizar o País, todos sob a desculpa esfrangalhada de “combater a corrupção”, quando se sabe que a corrupção – que todos devemos derrotar – deve ser combatida criminalmente.
Só a democracia possibilita que as principais instituições do país – um legislativo pandilha e um judiciário adulterado por certos juízes partidarizados e apoiados por uma mídia trapaceira – se mancomunem entre si para promover o mais escandaloso golpe – não contra um partido político ou contra um governo, mas contra a própria democracia – que se tem notícia na história de um país, quem sabe em todos os tempos.
Todavia, não obstante todos os seus defeitos, é imperativo às boas consciências insistir na defesa incondicional e no aprimoramento da “tal democracia”.
Porque somente a verdadeira democracia é que pode nos aproximar do bem estar coletivo, único caminho para a realização pessoal, única saída para a felicidade. 
Democracia é conviver com promotores vaidosos, com juízes tendenciosos e com a mídia trapaceira; democracia é conviver com golpistas de toda a laia, com a esperança de que o golpe por eles ensaiado seja derrotado – pelo povo e pela democracia.
Democracia é mesmo viver com esperança.
Golpeada a democracia – para quem ainda não consegue enxergar o que está acontecendo – a gente vive com medo!   

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ÁGUAS

Mágico Promete Muita Chuva Para Caxias

"Só 10 dias de chuvas consecutivas salvam Caxias do racionamento de água. E um praticólogo está prometendo o milagre".

Esta foi a manchete de uma matéria do jornal Zero Hora, publicada em 17-7-1978, e transcrita no jornal "A Evolução" na edição do final de semana subsequente, noticiando as peripécias do arroio-grandense Giliat Carriconde Aquino, criador da chamada filosofia da praticologia, baseada, segundo ele próprio, somente na força do pensamento positivo. 


Conhecido de todos em Arroio Grande, Giliat, o praticólogo, fez sucesso no final dos anos 1970, ganhando generoso espaço na mídia regional e estadual, concedendo inúmeras entrevistas aos canais de televisão, como na TV Caxias (acima) e na antiga TV Tuiuti (abaixo), ambas antecessoras das atuais afiliadas da RBS, de Caxias e de Pelotas, respectivamente.


Parece que Giliat efetivamente conseguiu fazer chover em Caxias do Sul. O problema é que depois (como nos tempos atuais) não parava mais de cair água na região serrana, tendo sido o praticólogo (após ter deixado a cidade) procurado com certa ferocidade pelos caxienses, para fazer "parar de chover", já que a cidade estava à beira de uma inundação. Dizem que Giliat nunca mais foi visto por lá.  

terça-feira, 6 de outubro de 2015

TELEGRAMA

Telegrama enviado de Porto Alegre em 24 de outubro de 1903, para o Intendente Municipal da "Federação" (nome de Arroio Grande à época)
"Cumpro triste dever comunicar-vos acaba de falecer ilustre chefe Dr. Júlio de Castilhos. Funerais amanhã. Borges Medeiros". 
Verso do Telegrama:
 "25 de outubro de 1903 - Dá a infausta notícia de morte do ilustre Chefe Dr. Júlio de Castilhos"
A partir de hoje, e eventualmente, a página deverá publicar posts endereçados ao Dr. Sérgio Canhada e ao Grupo Defensores do Patrimônio Histórico e Cultural do Arroio Grande, como contribuição e homenagem ao trabalho que ambos – Sérgio e o Grupo idealizado por Carla Hernandez – fazem, dedicado à preservação da memória do nosso município.

Como este autor não possui outra página na rede e, portanto, não faz parte do Grupo, e como o autorretrato se propôs, desde sempre, também a esse tipo de abordagem, as colaborações se darão agora de forma cooperada, ficando autorizadas as publicações dos posts na página que o Grupo Defensores mantêm na internet, naquilo que os seus administradores entenderem como necessário, como modesta contribuição deste blog ao trabalho dos historiadores do Arroio Grande.


Um abraço a todos.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE ARROIO GRANDE*

Senhor Presidente Vereador Luciano Peres.
Quero, pela presente, externar o mais profundo agradecimento pela homenagem que me foi dedicada, por ocasião da Sessão Solene realizada no dia 26 de março, comemorativa ao aniversário do Arroio Grande, ato que, por motivos inarredáveis, deixei de comparecer, sendo representado por minha mulher Verônica. 
Sou profundamente grato a Vossa Excelência, assim como a todos os Vereadores, que dispensaram, a mim e a outros homenageados, tamanha distinção. 
Tenho consciência, porém, de que tal homenagem, ao menos no meu caso, é fruto apenas e tão somente da generosidade de Vossas Excelências, pois Arroio Grande nada me deve, enquanto eu devo tudo para Arroio Grande. 
Afinal, Arroio Grande me deu o chimarrão nas manhãs ensolaradas, a fala franca com os amigos no decorrer do dia e a imperturbável melancolia dos seus fins de tarde... 
Arroio Grande me deu a paz e a imensidão das suas madrugadas, as rodas de violão e as serenatas ao luar, e janelas para pular nas noites de aflição da juventude... 
Arroio Grande me deu as melhores conversas e as melhores notícias. A melhor rádio para ouvir, o melhor jornal para consultar; a escola Dionísio para estudar, o livro 13 Lugares e meio... para ler, e as canções Groenlândia e Milonga Mauá para escutar. 
Arroio Grande me deu todas as paixões que vivi; a mulher amada para deitar (na cama que escolhi)... Aqui, jamais fui amigo dos Reis, mas tive os companheiros que quis, nas lutas que confrontei. 
Arroio Grande me deu os símbolos da minha formação: o meu padrinho Antônio Siedler, a minha primeira Professora, Marlise, e o ídolo da minha mocidade Oscar Falcão, o “Ósca”. Por todos eles tenho um carinho tão absurdamente extraordinário, que as vezes até me espanta, a ponto de eu desconfiar que são essas pessoas os grandes responsáveis pelo menino que ainda vive em mim. 
Arroio Grande me dá tudo o que preciso para viver: ruas anchas para caminhar, a planície para contemplar e a imaginação poética – livre e solta – do meu pai para que eu tenha coragem de sonhar. Arroio Grande me dá a suave presença da minha mãe para que eu possa repousar... 
Por tudo, Sr. Presidente, serei eternamente devedor desta cidade, o lugar de todos os meus sonhos, da vastidão das minhas utopias, das muitas vaidades que tive e dos meus desmedidos anseios. 
O meu muito obrigado, Sr. Presidente, pela honraria que me foi concedida, e o mais fraterno abraço à Vossa Excelência e aos demais Vereadores. Que sejam todos iluminados, na tarefa árdua e contínua de trabalhar pelo desenvolvimento da nossa terra e pela felicidade do nosso povo. 
Atenciosamente, 
Pedro Jaime Bittencourt Junior
*Publicado no jornal "A Evolução", Ed. 02/04/15

domingo, 26 de outubro de 2014

OLHAR PARA A FRENTE, DISPENSAR O TERCEIRO TURNO, REFAZER AS AMIZADES...

Eu não costumo me utilizar das chamadas redes sociais. Eu não ofendi, nem fui ofendido por ninguém durante toda a campanha eleitoral. Mas vi muito do que não queria ver, entre conhecidos, entre amigos, entre familiares... Vi ofensas que deveriam ser impublicáveis, vi grosserias inaceitáveis, vi amizades sendo desfeitas, dentro da verdadeira guerra que se travou entre os militantes dos “dois lados” que disputaram o 2º turno. A eleição acabou. E agora? Eu votei em Dilma, e Dilma ganhou. Eu votei em Tarso, e Sartori ganhou. E agora? E daí? Quem votou em Tarso, quem votou em Aécio, não pode ter perdido, porque quem constrói o Rio Grande, quem constrói o Brasil não são Sartori, nem Dilma, não são o PT, nem o PMDB, nem nenhuma das coligações que disputaram esta eleição. Quem constrói o nosso Estado e o nosso País somos todos nós, eleitores ou não de Aécio e de Dilma, somos todos nós, eleitores ou não de Tarso e de Sartori – e o Brasil e o Rio Grande somente poderão prosseguir em sua construção pelas mãos, pelo trabalho, mas, principalmente, pela consciência crítica de cada um de nós.
E ter essa consciência significa aceitar a visão de quem pensa diferente, significa olhar para a frente; ter essa consciência significa dizer não a um desnecessário terceiro turno. Ter consciência significa também começar a refazer as amizades perdidas durante essa campanha eleitoral.
Eu não tenho rede social, mas volto a me utilizar deste espaço (que estava desativado) apenas para passar este recado. Um recado simples, singelo e despido de qualquer outra intenção que não seja a de dizer o que está dito aí em cima: a eleição acabou, é hora de olhar para a frente, de dispensar o terceiro turno e de refazer as amizades perdidas durante a campanha eleitoral.
Amizade, solidariedade, fraternidade não são apenas palavras soltas, expressões inúteis, ou sentimentos vazios. Fraternidade, solidariedade e amizade são ações cotidianas, são construções permanentes, e decidir-se por praticá-las deveria ser algo mais obrigatório do que votar neste ou naquele candidato.
Se você também pensa assim, se você também quer assim – sem ofensas, sem mágoas, sem rancores... – faça apenas o que você fez pelo seu candidato nesta eleição. Compartilhe, curta, comente... Desta vez sem disputas, desta vez sem adversários e sem precisar convencer ninguém que não seja você mesmo. Aperta o verde e confirma.  

quarta-feira, 13 de março de 2013

13.03.2008 - 13.03.2013


Criado em 13.03.2008 para promover o lançamento do livro 13 Lugares e meio do Arroio Grande e outras referências (imagem acima), o blog autorretrato está completando exatos 5 anos e, passados os 60 mil acessos, quase 500 postagens, mais de 400 comentários e 33 seguidores depois, resolve fazer agora a sua despedida “definitiva” (houve outra, em 2010, quando o blog parou por cerca de um ano) das páginas da net.
Por inúmeras razões que aqui não serão expostas, pois serviriam apenas para molestar os leitores ou algum visitante que porventura ainda vier a aparecer pela página, o autor resolveu parar e decidiu escolher para a despedida exatamente a data de aniversário do blog, como uma homenagem ao começo da uma experiência de 5 anos, e que, afinal, teria um dia que terminar, como acabam todas as histórias, da vida real ou virtual, sejam elas escritas ou não.
13.03.2008, o começo; 13.03.2013, o fim.
Cinco anos de autorretrato – o blog, que aqui jaz definitivamente.

sexta-feira, 8 de março de 2013

VEÍCULOS - ARROIO GRANDE - 5 GERAÇÕES

Carro da Prefeitura Municipal - Anos 1940
Carreata conduzindo o jogador Ari, do E. C. Arroio Grande - Anos 1950
Acidente na estrada - Anos 1960
Gincana Automobilística - Anos 1970
Fusca no Centro ao entardecer (?) - Anos 1980

sábado, 2 de março de 2013

MAUÁ - 200 ANOS

Locomotiva - Acesso à "Terra de Mauá"
Busto de Mauá - Centro de Arroio Grande
                                            Avenida Visconde de Mauá - Foto antiga
Obelisco - Local onde nasceu Mauá
                                            Antiga Estação de Trem 
Este é o ano do bicentenário do Visconde de Mauá (1813/1889).
200 anos desde que o menino Irineu nasceu na pequena Vila de origem açoriana, para partir aos 9 anos de idade e depois ganhar fama e fortuna no Rio de Janeiro, onde ficaria conhecido como o maior empresário da história do Império brasileiro.
Literatura e estudos sobre Mauá existem muitos, lembranças na sua terra natal também.
Aqui, Mauá foi nome de Estação de Trem (última foto), é nome da principal Avenida da cidade (4ª foto), e recebeu obelisco (3ª foto) e busto (2ª foto) em sua homenagem, isso sem falar que Arroio Grande ficou conhecida como “Terra de Mauá”, o que acabou trazendo recentemente uma locomotiva para ser instalada junto ao pórtico da cidade (1ª foto).
Que as autoridades locais saibam da real importância do seu filho mais ilustre; é preciso que os 200 anos de Mauá sejam lembrados de maneira exemplar, com o planejamento de eventos e homenagens que, aliás, já deveriam começar desde agora.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SALVE JORGE

Após a confecção do convite dos 15 anos da Nazine (postagem abaixo), o Pedro Bittencourt desandou a enviar a invitacion para todo mundo - arroiograndenses, gaúchos, uruguaios e brasileiros de toda a espécie, especialmente baianos, pois que o aniversário trazia também uma espécie de reinauguração da "Rua da Bahia", criada pelo poeta um ano antes, em 1974.
Assim, o Pedro resolveu enviar o convite para diversas personalidades da Bahia, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymi, Jorge Amado e outros, com uma fórmula tão singela quanto imprecisa, pois simplemente postava no Correio - "Caetano Veloso - Salvador - Bahia" - sob o lógico argumento de que qualquer carteiro deveria saber o endereço de tão ilustre figura.
Não se sabe até hoje quem recebeu o convite, já que apenas uma dessas personalidades respondeu ao chamado, o que deixou a todos nós extremamente orgulhosos.
Foi o velho Jorge Amado, que, declarando o recebimento do convite, mandou um livro - Capitães de Areia - e uma Carta manuscrita para a Nazine, que dizia mais ou menos assim:
"Nazine, recebi, honrado, o convite para a tua festa de 15 anos, a qual, entretanto, por motivos diversos, me é impossível comparecer. Mas quero te desejar toda a felicidade do mundo, aí junto aos teus familiares e amigos. Arroio Grande é longe, impossível te mandar flores, razão pela qual te envio o 'Capitães de Areia', como prova do meu carinho e afeto. Um abraço. Jorge Amado."  
A Carta do Jorge (a quem eu procuraria na Bahia uma década depois - Rua Alagoinhas, n° 22, Bairro Rio Vermelho, Salvador-BA -, em 1985) foi, infelizmente, perdida, mas como a Nazine continuou se comunicando com ele, o grande escritor brasileiro seguiu presenteando-a com livros, dos quais eu guardei o "São Jorge dos Ilhéus", que a minha irmã recebeu com a seguinte dedicatória (imagem acima):
"Nazine. Não sei se já lhe mandei o 'São Jorge dos Ilhéus'. Agradeço a sua carta de 27 de abril, que só agora e aqui respondo, pois estava escrevendo um romance. Estou saindo de viagem para a Europa e África, voltarei em janeiro. Um abraço. Jorge Amado. Bahia, 1979."
Jorge Amado tornou-se imortal simplesmente por ser como era. Salve Jorge!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

NAZINE - 16 DE FEVEREIRO

No dia 16 de fevereiro de 1975, a Nazine, filha do Pedro e da Josina, irmã mais velha da Magali, e também do autor desta página, estava completando 15 anos.
Em consequência, o pai dela, o velho Pedro Jaime Bittencourt (então novo), uma mistura de advogado com poeta, resolveu fazer uma festa, mas não uma festinha qualquer de 15 anos, senão que decidiu abrir as portas da casa da família – a Casa da Josina – na Rua Júlio de Castilhos, nº 34, em Arroio Grande, para convidar meio mundo, entre amigos, conhecidos e passantes, conterrâneos, vizinhos ou gente de além fronteiras, razão pela qual imprimiu um convite(*) que circulou pela Cidade inteira, por grande parte do Rio Grande e por pedaços do Brasil.
Na porta da casa, um lembrete: “convite aos não convidados”, o que salvou o Pedro de eventuais esquecimentos e garantiu a todos o acesso à grande festa.
E essa festa, iniciada pelo Pedro Bittencourt há quase quarenta anos, acabou durando (na época) cerca de 3 dias; três dias não, pois que continua até hoje, algumas décadas depois.
16 de fevereiro – aniversário da Nazine, filha do Pedro e da Josina, irmã mais velha da Magali, e do autor desta página.
Feliz aniversário, Nazine, e que o convite(*) para a tua festa seja eterno, como a memória de quem o criou.
(*) Seguem, reproduzidos, alguns trechos do convite; ampliando a imagem é possível ler na íntegra. 
Notícias sobre ela: nasceu no dia 16 de fevereiro... aqui em arroiograndinho. Cursou o ginásio e muitas noites bonitas. Baiana do Rio Grande do Sul. Batizada e por evidência cristã...
Em feitio de convite: Uma rua da Bahia. Em Arroio Grande. Dia 15 de fevereiro, 1/2 noite. Dia 16 até 17 chegar. Samba, chopp, wuisque...
Levantamento do local: Cansou de ser garagem, virou poesia. Estado d'alma...
Sambão da Pesada: Todo mundo toca, todo mundo canta...
Momento Religioso: Dia 16 às 7 do poente. Missa. Com Deus e violão...  Se não souber rezar, murmure ao menos. Deus entende tudo.
Esportes: Campeonato individual de halterocopismo. Candidatos fortíssimos. Entre eles o pai da aniversariante.
Horóscopo: NAZINE: 16 de fevereiro. SIGNO: AQUARIUS. Sensibilidade. Amor pelo samba e pela noite. Um presente feliz e um futuro que seu pai, sua mãe, seus irmãos, os avós, os parentes e os amigos desejam que seja grande como a ternura das preces, e feliz, feliz, feliz como os olhos de quem sonha ou de quem ama...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

OUTROS CARNAVAIS

Clube do Comércio Arroio Grande - Carnaval 1975-1976
Escola de Samba Unidos do Promorar - Carnaval início anos 2000
Bloco da Falsa Baiana - Carnaval anos 1950

Houve um tempo em que o Carnaval de Arroio Grande era totalmente de rua, como na época dos blocos do “Papagaio da Rua Nova” e “Falsa Baiana” (última foto), comandados pelo conhecido Gilberto Nobre, "o barbeiro", morador da antiga Rua Duque de Caxias, atual Basílio Conceição, e, muito provavelmente, a Rua Nova “detrás da Igreja” de que nos fala a história do Arroio Grande.
Mais recentemente, veio o tempo das Escolas de Samba, da popular “Unidos do Promorar” (foto do centro), e das campeoníssimas “Samba no Pé” e “São Gabriel”, entre outras escolas da Cidade;
Mas também teve o tempo do Carnaval dos clubes sociais – o Clube Guarani, o Caixeiral e o Comércio – tradicionais sociedades de Arroio Grande, que lotavam de foliões nos seus carnavais.
Na 1ª fotografia, um baile de Carnaval no ano de 1975 (ou 1976), no salão do Clube do Comércio de Arroio Grande, onde é possível reconhecer, na pista, Henry Petry Jr, Sinéia Ribeiro, Ceceno Carriconde, Marco Antônio Costa, Denise Moraes, Júlio Ribeiro, Maria Alcinda Bonneau, Oscar Carriconde Jr, o popular Cao, Lídia Soares, Heloísa Christ, Plínio Cavalheiro Salles e o autor da página, entre outros foliões da então nova geração de AG.
Eram realmente outros carnavais.   

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O NÚMERO 1


O jornal “A Evolução”´, o semanário mais tradicional e de maior longevidade em Arroio Grande, está comemorando 80 anos neste 5 de fevereiro, fundado que foi em 1933 pelo dentista Oscar Marinho Falcão.
Em razão do aniversário, acabei criando, a pedido da Karina Mattos, atual Diretora, um Caderno Especial comemorativo, repassando, ainda que superficialmente, alguns acontecimentos que marcaram a história de “A Evolução”, na forma como é possível resumir em quatro breves páginas.
Como a versão impressa do jornal sai somente na quinta-feira, fica aqui, para os leitores do “autorretrato”, uma reprodução apenas da primeira Capa de “A Evolução” – o Número 1 – lançado em 4 de fevereiro de 1933 (porque será que a data comemorativa do jornal é dia cinco, e não quatro???), hoje um exemplar raríssimo, que o próprio acervo do jornal não contêm, e que nós guardamos com todo o cuidado depois que nos apropriamos do mesmo, há cerca de cinco anos.
Jornal “A Evolução” - tradição e compromisso com a informação, 80 anos a serviço da notícia em Arroio Grande. Parabéns!   

sábado, 26 de janeiro de 2013

BRECHT


Estou num dilema, mas daqueles bons de resolver.
Tenho que encontrar para quem doar a obra completa de Brecht para Teatro, uma coleção de 12 volumes, lançada pela Paz e Terra, há umas três décadas mais ou menos.
O dilema é que tem muita gente que quer a coleção, mas eu gostaria de entregá-la para quem fosse realmente utilizar a obra, e não para ficar depositada numa prateleira qualquer, por mais honesta que seja a biblioteca.
Estou pensando em procurar o pessoal do Dunas, ligado a turma do Ponto de Cultura “Outro Sul”, que vem produzindo um pouco de tudo: música, literatura, dança, e, talvez, possa produzir teatro também.
Quem sabe o teatro do camarada Brecht encenado nas ruas de um dos bairros mais pobres de Pelotas? E por quê não?
Brecht é aquele alemão, dramaturgo e poeta, autor de “A ópera dos três vinténs” e “O casamento do pequeno burguês”, entre outros épicos, mas que ficou famoso no mundo ocidental – mais afeito as frases rápidas e de efeito – pela expressão que embalou inúmeras gerações de marxistas: Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida, Estes são os imprescindíveis”.
A frase, cunhada como símbolo de perseverança na luta por um mundo mais justo, mais fraterno e mais solidário, era para ser um conceito da vida; entretanto, pelo que se vê nos dias atuais, parece estar mais para teatro. Brecht sabia.