sábado, 8 de novembro de 2008

DR MONTEIRO





Nem Manoel Jerônimo de Souza, nem José Baptista de Carvalho – os nossos primeiros povoadores -, nem Souza Gusmão e nem D. Maria Pereira das Neves, eles que doaram o terreno em torno do qual se ergueria à Vila; chama a atenção que o nome da principal rua do Arroio Grande, da nossa rua mais central, tenha sido dado em homenagem a um forasteiro, um homem que habitou a cidade por menos de uma década, e que aqui morreu muito cedo, com apenas 32 anos de idade.
Antônio Monteiro Alves, o Dr. Monteiro, nasceu no Estado da Bahia, em 1847 ou 1848. Estudante da tradicional Escola de Medicina da Bahia, fundada em 1808, Antônio formou-se no ano de 1871, defendendo a Tese “Febre Amarella”, o que viria a render-lhe o título de “Doutor” em Medicina.
Não existem dados sobre a vinda do Dr. Monteiro para o Arroio Grande, mas tudo leva a crer que isso tenha ocorrido logo no ano seguinte à sua formatura, pois documentos que fazem referência à sua morte dão conta de que o Médico prestou “incontáveis serviços” à nossa população por cerca de oito anos, até vir a falecer em 25 de março de 1880.
A morte ocorreu por tuberculose pulmonar, quando o Dr. Monteiro contava com 32 anos de idade, deixando três filhos menores - Francisco, Maria Cândida e Henrique – e a viúva Augusta da Silveira Alves, também baiana, e que, presumivelmente, retornou à sua terra natal logo após a morte do marido.
O documento mais interessante a respeito da vida do Dr. Monteiro por aqui é a Acta n° 160, do Legislativo Municipal, lavrada a 12 de junho de 1880, menos de três meses depois da morte do médico. Por aquela Ata, o parlamento de Arroio Grande decide trocar o nome da rua mais central da cidade – então chamada “Rua do Commercio” – para homenagear o “Médico Humanitário”, precocemente retirado do convívio dos arroio-grandenses.
A Ata, aliás, registra uma passagem belíssima, onde o proponente da homenagem, Dutra da Silveira, depois de ver aprovada a troca do nome da rua – de Rua do Commercio para “Rua do Doutor Monteiro” -, assim se manifesta: “Aceitem os Athenienses Bahianos essa prova de amizade e consideração que um punhado de Espartanos Rio-Grandenses agradecidos exibem pelos relevantes serviços recebidos de um seu irmão...” (Sala de Sessões da Câmara Municipal, doze de julho de mil oitocentos e oitenta).
Por “athenienses bahianos” parece que o orador quis fazer referência à Educação que àquela época destacava o Estado da Bahia, enquanto que “espartanos rio-grandenses” seria revelador do espírito de luta do povo gaúcho, historicamente acostumado a longas quizílias em defesa dos seus ideais.

É interessante saber que, ainda hoje, a rua da Praça Central, a rua dos Bancos, do Café, das lancherias; a rua dos passeios de carro, do desfile dos jovens, dos namoros; a rua por onde todo mundo passa, conserva o nome de um camarada de quem pouco se sabe, mas que há 128 anos vem marcando a vida dos habitantes do Arroio Grande. Afinal, desde 1880 toda a cidade se encontra mesmo é na Rua do Doutor Monteiro.


3 comentários:

Solismar Venzke Filho disse...

Parabéns Juninho; eu não tinha esse conhecimento a respeito do Dr. Monteiro. Apenas sabia que a rua se chamava Rua do Commercio. Um forte abraço.

Pedro Jaime Bittencourt Junior disse...

É isso, Solismar.
Nós ainda temos aqui um pequeno grupo interessado na preservação da memória do Arroio Grande.
Me refiro ao Arnóbio, ao Sérgio Canhada e outros (o Paulo Carriconde, a Profª Flávia, como sempre...)que contribuem e acabam se comunicando quando "descobrem" detalhes da história da terra, infelizmente tão pouco documentada, até hoje.
O Dr. Monteiro é um personagem interessante, e a gente tinha (tem) pouca coisa a respeito dele, como o que está exposto na crônica, por exemplo. Mas estamos pesquisando e assim que obtivermos mais detalhes...
Eu sempre digo que não tenho pretensão à exatidão histórica (para isso necessitaria de um tempo e uma disciplina que não disponho), mas é preciso um mínimo de respeito à fidelidade dos fatos, até para deixar alguma coisa para quem está vindo depois de nós.
A esperança "no novo" para cultivar a preservação "do velho", aliás, é o que ainda nos move. Sempre.
Um abraço e aparece.

Solismar Venzke Filho disse...

Parabéns pela iniciativa deste pequeno grupo. Você tem razão quando propós relatar a história da terra com o máximo de fidelidade dos fatos. Para passar aos nossos filhos. Alguns psicológos dissem que a preocupação do ser humano de deixar a história de alguma forma registrada é uma maneira oculta de transmitir valores a gerações futuras. Mesmos aqueles que um dia foram, na sua época, de vanguarda. Parece ser ciclo, isso. Estar já incorporado no ser humano. Têm uma corrente de geneticistas evolutivos que pensam na hipótese que esses "eventos" de alguma forma podem ser incorporado ao genoma do ser vivo e transmitidos seus descendentes(prole). Dai a importância da influência do ambiente, não só na expressão gênica mas na transformação do genoma. E, isso ocorre devido a duas características: repetibilidade e significância do evento. O que se conhece bem hoje é a menória gênica com função de transmissão de moleculas responsáveis por funções basicas de sobrevivência da especie.
Era isso...até outro dia.