quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

OS BITTENCOURT

(Jean de Bethencourt - Parente do Borges? Nosso ancestral?)
Certa ocasião, em Buenos Aires, ouvi uma entrevista do Jorge Luís Borges para a televisão espanhola, onde o escritor argentino declarou, a respeito da sua origem: - “Eu sou dos Bittencourt de Rouen, da Normandia”. Pensei imediatamente: Mas bah, tchê! Que chique! Eu também quero ser desses Bittencourt, quem sabe até da nobreza francesa! Já imaginaram?...
Comecei então a busca da minha árvore genealógica, que até hoje não cheguei a concluir, apesar das facilidades da internet.
Os Bittencourt têm mesmo a sua origem na França, e vêm, provavelmente, de um certo Jean de Bettencourt, fidalgo normando que viveu de 1362 a 1425, e que deu início a conquista cristã das ilhas canárias, pelo que recebeu o título de Rei da Canária.
Esse tal Jean - que ganharia também os títulos de Barão e de Senhor de Grainville -, seria, segundo os estudiosos, o primeiro Bittencourt a aparecer na história, muito embora a óbvia existência de seu pai (Jean de III Béttencourt, casado com Marie de Bracquemont) e de seu avô (também de nome Jean) e de seu irmão (ou sobrinho) Maciot.
Pois Maciot (ou Meciote) de Bettencourt, teria sido quem deu seguimento aos interesses de Jean nas Canárias, e do qual parecem descender todos os Bettencourt e Bettancurt que hoje se encontram nos arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias, Cabo Verde...).
Dizem, também, que os Bettencourt seriam a árvore francesa dos Van der Halfen, assim como os Silveira seriam a árvore dos Açores (Portugal) e os Ávila a árvore Canária (Espanha) desse pessoal de Flandres; quer dizer, é todo mundo parente.
O problema é que, depois de certo tempo espalhados pelas Canárias e pelos Açores, os Bettencourt resolveram atravessar o Oceano, como consta do livro de J. Moniz de Bettencourt - Os Bettencourt: das Origens Normandas à Expansão Atlântica (Lisboa, 1993), obra difícil de conseguir por aqui.
E que expansão! Espalhados pela América a partir do Século XVII, os Bettencourt (aqui Bittencourt, Betencurt, Vitancurt...), foram viver no Brasil, no Uruguai, na Colômbia, na Venezuela, em Cuba...
Da parte que me toca, espero um dia completar o hiato deixado entre os “normandos”, os canários e os açorianos, já que é possível que sejamos descendentes tanto de espanhóis como de portugueses.
Na verdade, o meu avô, Guadil Bittencourt, nascido no Uruguai (1901), pai de meu pai Pedro Bittencourt (nasc. 1932), era filho de um Pedro Vitancurt (nasc. 1877), oriental, agricultor de India Muerta, em Rocha, ROU, mas este, por sua vez, tinha como pai um certo Tomás Vitancurt, nascido próximo a 1840, e que aparece numa certidão como... brasileiro, o que só aumenta a confusão.
Por isso, quem souber de algo que possa juntar o elo perdido com a travessia oceânica dos Bettencourt que mande notícias, afinal ser normando, ou canário, ou açoriano, nobre ou plebeu (aqui, com muito mais chances...), é apenas uma curiosidade.
Já quanto ao futuro – o que mais importa - este depende muito mais do que a gente faz cotidianamente do que do berço ou local em que nasceu.
E isso vale para todos, de qualquer estirpe, sempre.

2 comentários:

Maria Daura mdaura disse...

Meu caro primo (acho que posso chamá-lo assim, já que, ao que tudo indica, corre em nossas veias uma pequena parcela do sangue do illustre senhor Jean Baptiste de Béthencourt)
Interesso-me bastante por essas pesquisas das origens da família Bittencourt e, da mesma forma que você, sempre me deparo com esse hiato que representa a travessia do atlântico e a posterior fixação de nossos ancestrais em solo americano.
Remontando a minha árvore genealógica, consegui chegar a um certo Boaventura de Bittencourt Godinho, português, que requereu ao governo de Portugal uma Sesmaria na Zona da Mata mineira, no ano de 1795. Acredito que tenha falecido em torno de 1800, uma vez que seu inventário foi aberto em 1801.
O que me chamou a atenção em seu artigo foi a referência ao livro de J. Moniz (« Os Béthencourt: das origens normandas à expansão atlântica »), livro esse que há algum tempo - desde que me foi recomendado por um Bettencourt dos Açores com quem me deparei num blogue de um francês morador em Grainville lá Teinturière ( olha só que confusão esses encontros no mundo da web!) - procuro.sem êxito.
Como mencionou a dificuldade em consegui-lo, gostaria de perguntar-lhe se você efetivamente o fez e, em caso afirmativo, se poderia indicar-me a livraria ou sebo em que poderia encontrá-lo, mesmo que seja fora do país.
Desculpe-me pelo comentário demasiadamente longo.
Aguardo ansiosa a sua resposta.
Um abraço,
Maria Daura Bittencourt Macedo Rocha

Pedro Jaime Bittencourt Junior disse...

Olá Maria Daura.
Esse livro sobre os Bettencourt realmente é difícil de conseguir e relativamente caro.
Encontra-se disponível para consulta na Biblioteca Genealógica de Lisboa e também em bibliotecas dos EUA e Canadá.
Para venda, existe atualmente na internet ao menos um exemplar, disponibilizado pelo anunciante "Vitor Trindade", Freguesia de Marvila, Concelho de Lisboa, pelo valor de 35 euros.
Abaixo o link para contato.
https://www.custojusto.pt/lisboa/livros/os-bettencourt-1993-24347714.
Eventualmente aparecem outros exemplares disponíveis; uma ocasião, solicitei a uma amiga (que esteva em Lisboa) que trouxesse um que fôra anunciado, ela, porém, não o encontrou.
Faz contato pelo meu e-mail, daí, quem sabe, chegamos até o livro qualquer hora dessas.
Abraço.
Pedro Jaime
e-mail - pedrobittencourtjr@terra.com.br