quarta-feira, 4 de maio de 2016
quinta-feira, 31 de março de 2016
MANIFESTO EM DEFESA DA LEGALIDADE DEMOCRÁTICA E DA SOBERANIA POPULAR
Nós,
profissionais da área jurídica radicados no Município de Pelotas,
Rio Grande do Sul, todos comprometidos com a defesa da Constituição
Federal e com a preservação do Estado Democrático de Direito, que
livremente aderimos a este manifesto,
–
considerando a crise política e institucional em que o
Brasil encontra-se atualmente mergulhado, que demanda solução
dentro das regras constitucionais e com rigoroso respeito à ordem
política e jurídica vigente;
–
considerando que a Constituição Federal consagra a
soberania popular como fundamento (Art. 1º, § único),
consubstanciada na escolha dos governantes através do sufrágio
universal, pelo voto direto e secreto (Art. 14), para mandatos com
durabilidade certa e prevista em lei, independentemente da
popularidade do mandatário durante o exercício da representação
outorgada pelo povo;
–
considerando que a imposição de qualquer sanção que
implique na destituição de qualquer governante, de qualquer nível,
exige a prévia ocorrência da prática de crime no exercício do
mandato, com respeito ao devido processo legal;
–
considerando que os procedimentos escolhidos para
debelar a soberania popular aparecem, neste momento de crise,
revestidos de duvidosa legalidade, em face da ausência de
pressupostos indispensáveis ao seu reconhecimento;
–
considerando que tal tentativa de solução para a crise
volta-se, portanto, à ruptura da institucionalidade; e,
–
considerando, finalmente, que qualquer desfecho para a
crise política e institucional que apareça voltado à fragilização
dos direitos e garantias constitucionalmente assegurados, ou que
atente contra a soberania popular, ofende igualmente os direitos
sociais, econômicos e culturais arduamente conquistados até o
presente momento, ainda que estes estejam aquém do desiderato maior
perseguido de erradicar a pobreza e a marginalização, e reduzir as
desigualdades sociais e regionais em nosso país,
vimos,
de público, externar o presente manifesto, fruto da absoluta
convicção de que apenas com o rigoroso respeito à soberania
popular é que poderemos afirmar e concretizar o Estado Democrático
no Brasil, de forma suprema, perene e irretrocedível.
(Seguem as assinaturas)
domingo, 20 de março de 2016
DEMOCRACIA (Pequena contribuição à reflexão)
Filho
de mãe professora e de pai advogado aprendi, entre muitos
ensinamentos, que a educação é o melhor caminho para a boa
reflexão e que não existe estado de direito sem democracia.
Cresci
em meio a ditadura militar que se instalou no país e demorei vinte e
cinco anos – um quarto de século! – para conhecer e provar o
gostinho da “tal democracia”.
Democracia.
Não sei bem definir o que significa a palavra, muito embora o
conceito clássico da expressão – alguma coisa como “poder do
povo” – me diga que é algo que a gente têm que abraçar
incondicionalmente.
O
que sei – e isto sei não porque me contaram, mas porque com ela
tenho coabitado – é que democracia implica em conviver o tempo
todo com o pensamento contrário, significa considerar as diferenças
e procurar aceitá-las, significa o respeito às pessoas, às
instituições e às leis.
A
democracia – o conservador Churchill já havia alertado – é o
pior dos sistemas, com exceção de todos os demais.
Só
a democracia possibilita, por exemplo, que promotores vaidosos e
ávidos por aparecer achincalhem com o próprio Ministério Público
ao promover denúncias e solicitar prisões totalmente descabidas
perante o direito; só a democracia possibilita que juízes parciais
e tendenciosos desacreditem o Poder Judiciário ao desrespeitar
princípios constitucionais primários, como divulgar conversas de
autoridades de Estado que não são sequer objeto de investigação;
só a democracia possibilita que uma mídia anti-democrática,
embusteira e falaciosa trabalhe abertamente para desestabilizar o
País, todos sob a desculpa esfrangalhada de “combater a
corrupção”, quando se sabe que a corrupção – que todos
devemos derrotar – deve ser combatida criminalmente.
Só
a democracia possibilita que as principais instituições do país –
um legislativo pandilha e um judiciário adulterado por certos juízes
partidarizados e apoiados por uma mídia trapaceira – se mancomunem
entre si para promover o mais escandaloso golpe – não contra um
partido político ou contra um governo, mas contra a própria
democracia – que se tem notícia na história de um país, quem
sabe em todos os tempos.
Todavia,
não obstante todos os seus defeitos, é imperativo às boas
consciências insistir na defesa incondicional e no aprimoramento da “tal democracia”.
Porque
somente a verdadeira democracia é que pode nos aproximar do bem estar coletivo,
único caminho para a realização pessoal, única saída para a
felicidade.
Democracia é conviver com promotores vaidosos, com
juízes tendenciosos e com a mídia trapaceira; democracia é
conviver com golpistas de toda a laia, com a esperança de que o
golpe por eles ensaiado seja derrotado – pelo povo e pela
democracia.
Democracia
é mesmo viver com esperança.
Golpeada a democracia – para quem ainda não consegue enxergar o que está acontecendo – a gente vive com medo!
Golpeada a democracia – para quem ainda não consegue enxergar o que está acontecendo – a gente vive com medo!
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
ÁGUAS
Mágico Promete Muita Chuva Para Caxias
"Só 10 dias de chuvas consecutivas salvam Caxias do racionamento de água. E um praticólogo está prometendo o milagre".
Esta foi a manchete de uma matéria do jornal Zero Hora, publicada em 17-7-1978, e transcrita no jornal "A Evolução" na edição do final de semana subsequente, noticiando as peripécias do arroio-grandense Giliat Carriconde Aquino, criador da chamada filosofia da praticologia, baseada, segundo ele próprio, somente na força do pensamento positivo.
Conhecido de todos em Arroio Grande, Giliat, o praticólogo, fez sucesso no final dos anos 1970, ganhando generoso espaço na mídia regional e estadual, concedendo inúmeras entrevistas aos canais de televisão, como na TV Caxias (acima) e na antiga TV Tuiuti (abaixo), ambas antecessoras das atuais afiliadas da RBS, de Caxias e de Pelotas, respectivamente.
Parece que Giliat efetivamente conseguiu fazer chover em Caxias do Sul. O problema é que depois (como nos tempos atuais) não parava mais de cair água na região serrana, tendo sido o praticólogo (após ter deixado a cidade) procurado com certa ferocidade pelos caxienses, para fazer "parar de chover", já que a cidade estava à beira de uma inundação. Dizem que Giliat nunca mais foi visto por lá.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
TELEGRAMA
A partir de hoje, e eventualmente, a página deverá publicar posts
endereçados ao Dr. Sérgio Canhada e ao Grupo
Defensores do Patrimônio Histórico e Cultural do Arroio Grande,
como contribuição e homenagem ao trabalho que ambos – Sérgio e o
Grupo idealizado por Carla Hernandez – fazem, dedicado à
preservação da memória do nosso município.
Como este autor não possui outra página na rede e,
portanto, não faz parte do Grupo, e como o autorretrato
se propôs, desde sempre, também a esse tipo de abordagem, as
colaborações se darão agora de forma cooperada, ficando
autorizadas as publicações dos posts
na página que o Grupo Defensores
mantêm na internet, naquilo que os seus administradores entenderem
como necessário, como modesta contribuição deste blog ao trabalho dos
historiadores do Arroio Grande.
Um abraço a todos.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE ARROIO GRANDE*
Senhor Presidente Vereador Luciano Peres.
Quero, pela presente, externar o mais profundo agradecimento pela homenagem que me foi dedicada, por ocasião da Sessão Solene realizada no dia 26 de março, comemorativa ao aniversário do Arroio Grande, ato que, por motivos inarredáveis, deixei de comparecer, sendo representado por minha mulher Verônica.
Sou profundamente grato a Vossa Excelência, assim como a todos os Vereadores, que dispensaram, a mim e a outros homenageados, tamanha distinção.
Tenho consciência, porém, de que tal homenagem, ao menos no meu caso, é fruto apenas e tão somente da generosidade de Vossas Excelências, pois Arroio Grande nada me deve, enquanto eu devo tudo para Arroio Grande.
Afinal, Arroio Grande me deu o chimarrão nas manhãs ensolaradas, a fala franca com os amigos no decorrer do dia e a imperturbável melancolia dos seus fins de tarde...
Arroio Grande me deu a paz e a imensidão das suas madrugadas, as rodas de violão e as serenatas ao luar, e janelas para pular nas noites de aflição da juventude...
Arroio Grande me deu as melhores conversas e as melhores notícias. A melhor rádio para ouvir, o melhor jornal para consultar; a escola Dionísio para estudar, o livro 13 Lugares e meio... para ler, e as canções Groenlândia e Milonga Mauá para escutar.
Arroio Grande me deu todas as paixões que vivi; a mulher amada para deitar (na cama que escolhi)... Aqui, jamais fui amigo dos Reis, mas tive os companheiros que quis, nas lutas que confrontei.
Arroio Grande me deu os símbolos da minha formação: o meu padrinho Antônio Siedler, a minha primeira Professora, Marlise, e o ídolo da minha mocidade Oscar Falcão, o “Ósca”. Por todos eles tenho um carinho tão absurdamente extraordinário, que as vezes até me espanta, a ponto de eu desconfiar que são essas pessoas os grandes responsáveis pelo menino que ainda vive em mim.
Arroio Grande me dá tudo o que preciso para viver: ruas anchas para caminhar, a planície para contemplar e a imaginação poética – livre e solta – do meu pai para que eu tenha coragem de sonhar. Arroio Grande me dá a suave presença da minha mãe para que eu possa repousar...
Por tudo, Sr. Presidente, serei eternamente devedor desta cidade, o lugar de todos os meus sonhos, da vastidão das minhas utopias, das muitas vaidades que tive e dos meus desmedidos anseios.
O meu muito obrigado, Sr. Presidente, pela honraria que me foi concedida, e o mais fraterno abraço à Vossa Excelência e aos demais Vereadores. Que sejam todos iluminados, na tarefa árdua e contínua de trabalhar pelo desenvolvimento da nossa terra e pela felicidade do nosso povo.
Atenciosamente,
Pedro Jaime Bittencourt Junior
*Publicado no jornal "A Evolução", Ed. 02/04/15
domingo, 26 de outubro de 2014
OLHAR PARA A FRENTE, DISPENSAR O TERCEIRO TURNO, REFAZER AS AMIZADES...
Eu
não costumo me utilizar das chamadas redes sociais. Eu não ofendi, nem fui ofendido por ninguém durante toda a campanha eleitoral. Mas vi muito do que não queria
ver, entre conhecidos, entre amigos, entre familiares... Vi ofensas
que deveriam ser impublicáveis, vi grosserias inaceitáveis, vi
amizades sendo desfeitas, dentro da verdadeira guerra que se travou
entre os militantes dos “dois lados” que disputaram o 2º turno.
A eleição acabou. E agora? Eu votei em Dilma, e Dilma ganhou. Eu
votei em Tarso, e Sartori ganhou. E agora? E daí? Quem votou em
Tarso, quem votou em Aécio, não pode ter perdido, porque quem
constrói o Rio Grande, quem constrói o Brasil não são Sartori,
nem Dilma, não são o PT, nem o PMDB, nem nenhuma das coligações
que disputaram esta eleição. Quem constrói o nosso Estado e o
nosso País somos todos nós, eleitores ou não de Aécio e de Dilma,
somos todos nós, eleitores ou não de Tarso e de Sartori – e o
Brasil e o Rio Grande somente poderão prosseguir em sua construção
pelas mãos, pelo trabalho, mas, principalmente, pela consciência
crítica de cada um de nós.
E
ter essa consciência significa aceitar a visão de quem pensa
diferente, significa olhar para a frente; ter essa consciência
significa dizer não a um desnecessário terceiro turno. Ter
consciência significa também começar a refazer as amizades
perdidas durante essa campanha eleitoral.
Eu
não tenho rede social, mas volto a me utilizar deste espaço (que
estava desativado) apenas para passar este recado. Um recado simples,
singelo e despido de qualquer outra intenção que não seja a de
dizer o que está dito aí em cima: a eleição acabou, é hora de
olhar para a frente, de dispensar o terceiro turno e de refazer as
amizades perdidas durante a campanha eleitoral.
Amizade,
solidariedade, fraternidade não são apenas palavras soltas,
expressões inúteis, ou sentimentos vazios. Fraternidade,
solidariedade e amizade são ações cotidianas, são construções
permanentes, e decidir-se por praticá-las deveria ser algo mais
obrigatório do que votar neste ou naquele candidato.
Se
você também pensa assim, se você também quer assim – sem
ofensas, sem mágoas, sem rancores... – faça apenas o
que você fez pelo seu candidato nesta eleição. Compartilhe, curta,
comente... Desta vez sem disputas, desta vez sem adversários e sem
precisar convencer ninguém que não seja você mesmo. Aperta o verde
e confirma.
quarta-feira, 13 de março de 2013
13.03.2008 - 13.03.2013
Criado
em 13.03.2008 para promover o lançamento do livro 13 Lugares e meio
do Arroio Grande e outras referências (imagem acima), o blog
autorretrato está completando exatos 5 anos e, passados os 60 mil
acessos, quase 500 postagens, mais de 400 comentários e 33 seguidores
depois, resolve fazer agora a sua despedida “definitiva” (houve
outra, em 2010, quando o blog parou por cerca de um ano) das páginas
da net.
Por
inúmeras razões que aqui não serão expostas, pois serviriam apenas
para molestar os leitores ou algum visitante que porventura ainda vier a aparecer pela página, o autor resolveu parar e decidiu escolher para a despedida exatamente a data de aniversário do blog, como uma homenagem ao
começo da uma experiência de 5 anos, e que, afinal, teria um dia
que terminar, como acabam todas as histórias, da vida real ou
virtual, sejam elas escritas ou não.
13.03.2008,
o começo; 13.03.2013, o fim.
Cinco
anos de autorretrato – o blog, que aqui jaz definitivamente.
sexta-feira, 8 de março de 2013
VEÍCULOS - ARROIO GRANDE - 5 GERAÇÕES
Carro da Prefeitura Municipal - Anos 1940
Carreata conduzindo o jogador Ari, do E. C. Arroio Grande - Anos 1950
Acidente na estrada - Anos 1960
Gincana Automobilística - Anos 1970
Fusca no Centro ao entardecer (?) - Anos 1980
sábado, 2 de março de 2013
MAUÁ - 200 ANOS
Locomotiva - Acesso à "Terra de Mauá"
Busto de Mauá - Centro de Arroio Grande
Avenida Visconde de Mauá - Foto antiga
Obelisco - Local onde nasceu Mauá
Antiga Estação de Trem
Este é o ano do bicentenário do Visconde de Mauá (1813/1889).
Este é o ano do bicentenário do Visconde de Mauá (1813/1889).
200
anos desde que o menino Irineu nasceu na pequena Vila de origem
açoriana, para partir aos 9 anos de idade e depois ganhar fama e
fortuna no Rio de Janeiro, onde ficaria conhecido como o maior
empresário da história do Império brasileiro.
Literatura
e estudos sobre Mauá existem muitos, lembranças na sua terra natal
também.
Aqui,
Mauá foi nome de Estação de Trem (última foto), é nome da
principal Avenida da cidade (4ª foto), e recebeu obelisco (3ª foto)
e busto (2ª foto) em sua homenagem, isso sem falar que Arroio Grande
ficou conhecida como “Terra de Mauá”, o que acabou trazendo recentemente uma locomotiva para ser instalada junto ao
pórtico da cidade (1ª foto).
Que
as autoridades locais saibam da real importância do seu filho mais
ilustre; é preciso que os 200 anos de Mauá sejam lembrados de
maneira exemplar, com o planejamento de eventos e homenagens que,
aliás, já deveriam começar desde agora.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
SALVE JORGE
Após a confecção do convite dos 15 anos da Nazine (postagem abaixo), o Pedro Bittencourt desandou a enviar a invitacion para todo mundo - arroiograndenses, gaúchos, uruguaios e brasileiros de toda a espécie, especialmente baianos, pois que o aniversário trazia também uma espécie de reinauguração da "Rua da Bahia", criada pelo poeta um ano antes, em 1974.
Assim, o Pedro resolveu enviar o convite para diversas personalidades da Bahia, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymi, Jorge Amado e outros, com uma fórmula tão singela quanto imprecisa, pois simplemente postava no Correio - "Caetano Veloso - Salvador - Bahia" - sob o lógico argumento de que qualquer carteiro deveria saber o endereço de tão ilustre figura.
Não se sabe até hoje quem recebeu o convite, já que apenas uma dessas personalidades respondeu ao chamado, o que deixou a todos nós extremamente orgulhosos.
Foi o velho Jorge Amado, que, declarando o recebimento do convite, mandou um livro - Capitães de Areia - e uma Carta manuscrita para a Nazine, que dizia mais ou menos assim:
"Nazine, recebi, honrado, o convite para a tua festa de 15 anos, a qual, entretanto, por motivos diversos, me é impossível comparecer. Mas quero te desejar toda a felicidade do mundo, aí junto aos teus familiares e amigos. Arroio Grande é longe, impossível te mandar flores, razão pela qual te envio o 'Capitães de Areia', como prova do meu carinho e afeto. Um abraço. Jorge Amado."
A Carta do Jorge (a quem eu procuraria na Bahia uma década depois - Rua Alagoinhas, n° 22, Bairro Rio Vermelho, Salvador-BA -, em 1985) foi, infelizmente, perdida, mas como a Nazine continuou se comunicando com ele, o grande escritor brasileiro seguiu presenteando-a com livros, dos quais eu guardei o "São Jorge dos Ilhéus", que a minha irmã recebeu com a seguinte dedicatória (imagem acima):
"Nazine. Não sei se já lhe mandei o 'São Jorge dos Ilhéus'. Agradeço a sua carta de 27 de abril, que só agora e aqui respondo, pois estava escrevendo um romance. Estou saindo de viagem para a Europa e África, voltarei em janeiro. Um abraço. Jorge Amado. Bahia, 1979."
sábado, 16 de fevereiro de 2013
NAZINE - 16 DE FEVEREIRO
No
dia 16 de fevereiro de 1975, a Nazine, filha do Pedro e da Josina,
irmã mais velha da Magali, e também do autor desta página, estava
completando 15 anos.
Em
consequência, o pai dela, o velho Pedro Jaime Bittencourt (então
novo), uma mistura de advogado com poeta, resolveu fazer uma festa,
mas não uma festinha qualquer de 15 anos, senão que decidiu abrir
as portas da casa da família – a Casa da Josina – na Rua Júlio
de Castilhos, nº 34, em Arroio Grande, para convidar meio mundo,
entre amigos, conhecidos e passantes, conterrâneos, vizinhos ou
gente de além fronteiras, razão pela qual imprimiu um convite(*)
que circulou pela Cidade inteira, por grande parte do Rio Grande e
por pedaços do Brasil.
Na
porta da casa, um lembrete: “convite aos não convidados”, o que
salvou o Pedro de eventuais esquecimentos e garantiu a todos o acesso
à grande festa.
E
essa festa, iniciada pelo Pedro Bittencourt há quase quarenta anos,
acabou durando (na época) cerca de 3 dias; três dias não, pois que
continua até hoje, algumas décadas depois.
16
de fevereiro – aniversário da Nazine, filha do Pedro e da Josina,
irmã mais velha da Magali, e do autor desta página.
Feliz
aniversário, Nazine, e que o convite(*) para a tua festa seja eterno,
como a memória de quem o criou.
(*)
Seguem, reproduzidos, alguns trechos do convite; ampliando a imagem é
possível ler na íntegra.
Notícias sobre ela: nasceu no dia 16 de fevereiro... aqui em arroiograndinho. Cursou o ginásio e muitas noites bonitas. Baiana do Rio Grande do Sul. Batizada e por evidência cristã...
Em feitio de convite: Uma rua da Bahia. Em Arroio Grande. Dia 15 de fevereiro, 1/2 noite. Dia 16 até 17 chegar. Samba, chopp, wuisque...
Levantamento do local: Cansou de ser garagem, virou poesia. Estado d'alma...
Sambão da Pesada: Todo mundo toca, todo mundo canta...
Momento Religioso: Dia 16 às 7 do poente. Missa. Com Deus e violão... Se não souber rezar, murmure ao menos. Deus entende tudo.
Esportes: Campeonato individual de halterocopismo. Candidatos fortíssimos. Entre eles o pai da aniversariante.
Horóscopo: NAZINE: 16 de fevereiro. SIGNO: AQUARIUS. Sensibilidade. Amor pelo samba e pela noite. Um presente feliz e um futuro que seu pai, sua mãe, seus irmãos, os avós, os parentes e os amigos desejam que seja grande como a ternura das preces, e feliz, feliz, feliz como os olhos de quem sonha ou de quem ama...
sábado, 9 de fevereiro de 2013
OUTROS CARNAVAIS
Clube do Comércio Arroio Grande - Carnaval 1975-1976
Escola de Samba Unidos do Promorar - Carnaval início anos 2000
Bloco da Falsa Baiana - Carnaval anos 1950
Houve
um tempo em que o Carnaval de Arroio Grande era totalmente de rua,
como na época dos blocos do “Papagaio da Rua Nova” e “Falsa
Baiana” (última foto), comandados pelo conhecido Gilberto Nobre, "o
barbeiro", morador da antiga Rua Duque de Caxias, atual Basílio
Conceição, e, muito provavelmente, a Rua Nova “detrás da Igreja”
de que nos fala a história do Arroio Grande.
Mais
recentemente, veio o tempo das Escolas de Samba, da popular “Unidos
do Promorar” (foto do centro), e das campeoníssimas “Samba no Pé”
e “São Gabriel”, entre outras escolas da Cidade;
Mas
também teve o tempo do Carnaval dos clubes sociais – o Clube Guarani, o
Caixeiral e o Comércio – tradicionais sociedades de Arroio Grande,
que lotavam de foliões nos seus carnavais.
Na
1ª fotografia, um baile de Carnaval no ano de 1975 (ou 1976), no salão
do Clube do Comércio de Arroio Grande, onde é possível reconhecer, na pista, Henry Petry Jr, Sinéia Ribeiro, Ceceno Carriconde, Marco Antônio Costa, Denise Moraes, Júlio Ribeiro, Maria Alcinda Bonneau, Oscar Carriconde Jr, o popular Cao, Lídia Soares, Heloísa Christ, Plínio Cavalheiro Salles e o autor da página, entre outros foliões da então nova geração de AG.
Eram realmente outros carnavais.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
O NÚMERO 1
O jornal “A
Evolução”´, o semanário mais tradicional e de maior longevidade
em Arroio Grande, está comemorando 80 anos neste 5 de fevereiro,
fundado que foi em 1933 pelo dentista Oscar Marinho Falcão.
Em razão do
aniversário, acabei criando, a pedido da Karina Mattos, atual
Diretora, um Caderno Especial comemorativo, repassando, ainda que
superficialmente, alguns acontecimentos que marcaram a história de
“A Evolução”, na forma como é possível resumir em quatro
breves páginas.
Como a versão
impressa do jornal sai somente na quinta-feira, fica aqui, para os
leitores do “autorretrato”, uma reprodução apenas da primeira
Capa de “A Evolução” – o Número 1 – lançado em 4
de fevereiro de 1933 (porque será que a data comemorativa do jornal
é dia cinco, e não quatro???), hoje um exemplar raríssimo, que o
próprio acervo do jornal não contêm, e que nós guardamos com todo
o cuidado depois que nos apropriamos do mesmo, há cerca de cinco anos.
Jornal “A
Evolução” - tradição e compromisso com a informação, 80 anos
a serviço da notícia em Arroio Grande. Parabéns!
sábado, 26 de janeiro de 2013
BRECHT
Estou
num dilema, mas daqueles bons de resolver.
Tenho
que encontrar para quem doar a obra completa de Brecht para Teatro,
uma coleção de 12 volumes, lançada pela Paz e Terra, há umas três
décadas mais ou menos.
O
dilema é que tem muita gente que quer a coleção, mas eu gostaria
de entregá-la para quem fosse realmente utilizar a obra, e não para
ficar depositada numa prateleira qualquer, por mais honesta que seja a
biblioteca.
Estou
pensando em procurar o pessoal do Dunas, ligado a turma do Ponto de
Cultura “Outro Sul”, que vem produzindo um pouco de tudo:
música, literatura, dança, e, talvez, possa produzir teatro também.
Quem
sabe o teatro do camarada Brecht encenado nas ruas de um dos bairros
mais pobres de Pelotas? E por quê não?
Brecht
é aquele alemão, dramaturgo e poeta, autor de “A
ópera dos três vinténs”
e “O
casamento do pequeno burguês”,
entre outros épicos, mas que ficou famoso no mundo ocidental –
mais afeito as frases rápidas e de efeito – pela expressão que
embalou inúmeras gerações de marxistas: “Há
homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida, Estes são os imprescindíveis”.
Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida, Estes são os imprescindíveis”.
A
frase, cunhada como símbolo de perseverança na luta por um mundo
mais justo, mais fraterno e mais solidário, era para ser um conceito
da vida; entretanto, pelo que se vê nos dias atuais, parece estar
mais para teatro. Brecht sabia.
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