sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ARROIO GRANDE - FOTOS ANTIGAS (III)

O Posto Atlantic, na Av. N. S. da Graça, esq. Herculano de Freitas, próximo à ponte que dá acesso ao atual Bairro Promorar
Chegada do Circo em Arroio Grande
Junta de bois trazendo o motor para a Usina Elétrica - Rua Mal. Floriano esq. Júlio de Castilhos

domingo, 14 de outubro de 2012

À FALTA DE... (EM BUSCA DA CASA UM)

 
Não consegui os registros da “Casa Um” do Arroio Grande, assim considerada aquela moradia que deu início ao nucleamento urbano da localidade.
As residências do quadrilátero central da cidade foram quase todas elas alteradas; as que se mantêm intactas são construções da segunda metade do Século XIX, quando o povoamento da Vila do Arroio Grande já tinha para mais de meio Século, iniciado que foi entre 1798 e 1803, no dizer dos nossos historiadores.
A habitação mais antiga a permanecer com a sua constituição original continua sendo a hoje chamada “Casa da Chácara” (acima), uma construção em estilo colonial português, “com fortes traços da arquitetura açoriana do final do Século XVIII e início do Século XIX, localizada cerca de 1 km do centro de Arroio Grande, em frente ao Bairro Promorar”, conforme consta de um folder de divulgação do local.
Trata-se de local que serviu de residência à uma das primeiras famílias instaladas na localidade, e, segundo consta, foi nos fundos da habitação que se deu início à construção daquela que tinha a pretensão de ser a primeira Igreja do Arroio Grande, sendo, porém, “derrotada” pelo surgimento de uma Igrejinha sobre rodas, que, sempre segundo a lenda, teria sido instalada no lugar onde mais tarde viria a erguer-se a atual Igreja Matriz da Vila do Arroio Grande.
Os primeiros registros conhecidos da “Casa da Chácara” dão conta de que na segunda metade dos anos 1800 a residência pertencia a Balbina Maria de Moura, que em 1905 vendeu a habitação para Leandro Máximo Pereira, inexistindo, entretanto, notícias dos primeiros moradores da propriedade.
De qualquer forma, trata-se de uma das construções mais antigas da localidade, com parte do telhado colonial original e paredes de pedra calcárea, ficando, porém, atualmente afastada do núcleo urbano da cidade, cuja “Casa Um” permanece ainda sendo um mistério.
Na sequência, fotografias da Igreja Matriz do começo do Século XX (+ ou - 1900), do comércio central (mesma data), e fotos de casarões antigos do Arroio Grande, inclusive do “Sobrado dos Lisboa” (última fotografia), construção relativamente nova, mas que se inclui aqui pela arquitetura e elegância do local.
A beleza da cidade ainda sobrevive, basta ter olhos para vê-la!
 
Igreja Matriz - Atual Rua Herculano de Freitas
"Café Central" - Atual Rua Dr. Monteiro esq. Dionísio de Magalhães  
1ª Câmara de Vereadores - Rua Herculano de Freitas esq. Dr. Monteiro
Casa - Rua Zéca Maciel esquina Júlio de Castilhos
"Casa da Chinininha" - Rua Herculano de Freitas
"Sobrado dos Lisboa" - Rua Herculano de Freitas esq. Osmar Machado

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

DIREITO E ELEIÇÕES

 
 
E SE TIVESSE DADO ERRADO???
(populus sapiens consentium ius)  

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

ELEIÇÕES-MEMÓRIA

 
 
Hoje à noite tem debate na Escola Aimone Carriconde entre os candidatos a Prefeito de Arroio Grande, Mariela Ferreira (PDT) e Henrique Pereira (PP).
Em 1992, há exatos 20 anos, portanto, também houve debates entre os candidatos à Prefeitura da "Cidade Simpatia" - na época, Ermínio Lucena, do PDT, João Carlos "Chorê", do PDS, e Pedro Bittencourt Jr, do PT.
Na última foto, fala Elias Boabaid, apresentador do debate do CDL, na AABB;
Na foto do meio, fala Pedro, no debate realizado no mesmo local;
Na primeira foto, fala o Ermínio, em debate realizado na Escola Aimone.
Em todas as situações, o Chorê somente observa, quietinho, quietinho; como se viu, ele não precisou falar muito para ganhar aquela eleição...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

DIREITO E FUTEBOL


Dia desses, assistindo na TV uma partida de futebol, descobri que o nome de um time de Buenos Aires, o Vélez Sarsfield (Fundação: 1º/1/1910, 45 mil sócios), é uma homenagem ao grande jurista argentino Dalmácio Vélez Sársfield – ministro dos governos Mitre e Sarmiento – e que foi o responsável pelo Código Civil argentino de 1869, cujos dispositivos, na sua maioria, permanecem em vigência até hoje, quase 150 anos depois.
Que rica homenagem, que belo reconhecimento, que exemplo! Especialmente para nós, operadores do Direito, que gostamos de futebol – um esporte notadamente popular –, mas que vivemos no mundo da toga, da gravata, do formalismo das audiências e dos tribunais.
Confesso que fiquei com ciúmes dos argentinos, com inveja dos torcedores do Vélez. Fiquei pensando por quê isso nunca aconteceu por aqui, por quê nenhum Clube brasileiro se interessou em dar o seu nome a um jurista, a um laborador do Direito pátrio.
Passei a imaginar equipes históricas, clássicos de rivalidade insuperável, jogos inesquecíveis.
Times antigos, como o Clóvis Bevilacqua, por exemplo, fariam partidas antológicas contra o Rui Barbosa, ambos nascidos praticamente na mesma época. Já times técnicos, como o Sobral Pinto, disputariam jogos renhidos contra o Evaristo de Moraes, enquanto que equipes gaúchas, como o Osvaldo Lia Pires ou o Omar Ferri, seriam sempre fortes, nas disputas locais ou nacionais.
Todavia, não tenho a menor dúvida de que o grande clássico brasileiro, o super derby, o maior dos encontros, seria mesmo o duelo Pontes de Miranda x Nélson Hungria que deveriam fazer todos os anos a abertura oficial do campeonato, estádio cheio – a rivalidade entre civilistas e penalistas – com transmissão ao vivo em tevê aberta para o país inteiro. Na preliminar, Miguel Reale contra Hely Lopes Meirelles, filosofia x administrativismo.
Que espetáculo, que maravilha seriam os jogos entre equipes com os nomes dos juristas, que, entretanto, jamais aconteceram no Brasil.
Aliás, até nos torneios promovidos pela nossa OAB, onde os times adotam nomes prosaicos, previsíveis – como Arsenal, Barcelona, Milan – deveriam aparecer nomes consagrados do Direito local, numa homenagem àqueles que, em algum momento, contribuíram para a formação da nossa escola de bacharéis.
Já pensaram numa partida entre Ápio Cláudio de Lima Antunes e Mozart Victor Russomano? Ou numa final entre familiares: Bruno de Mendonça Lima e Alcides de Mendonça Lima? E com a Rosah fazendo parte do trio de arbitragem! Que jogos, colegas, que jogos!
(Já o Aldyr Schlee e o Gilberto Quadrado, gostariam, logicamente, de emprestar os seus nomes para os times um pouco mais tarde, por enquanto seria o momento de ficar apenas assistindo os jogos da arquibancada, espiando e palpitando).
É claro que tudo tem um porém, um “senão”, uma limitação, pois que, especialmente em se tratando de juristas, a ética, a equidade e a disputa justa deveriam estar garantidas, inclusive na questão econômica, nos investimentos de cada equipe.
Neste aspecto, num campeonato nacional da atualidade, haveria grande reclamação quanto a força do time de um Márcio Thomáz Bastos, por exemplo; afinal, patrocinado pelos honorários do Cachoeira e pela turma do mensalão não teria a menor graça. Mas teria todo o direito!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

1912-2012

A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas está comemorando 100 anos (Fundação: 12/09/1912).
Lá passei cinco inesquecíveis anos da minha vida, de 1979 a 1983.
A foto acima é mais ou menos dessa época, do final dos anos 70.
Aqui no blog já escrevi timidamente a respeito do tempo da Faculdade, link:
No texto (porque a postagem foi dirigida ao pessoal de Arroio Grande), faltou eu fazer referência aos Schlees - pai e filho -, ao Gastal, ao Angelo Zanatta, ao Claudiomiro, aos companheiros do Centro Acadêmico (Diretório), a turma do Sanatório (a Boate) e a tantos outros com quem tive o prazer de conviver naquele período.
Parabéns a velha Faculdade do Direito, aos seus professores, alunos, servidores e a todos que passaram por lá. Parabéns a todos nós!

domingo, 9 de setembro de 2012

SERGINHO DA VASSOURA

Artista de rua, genuína alma popular, Serginho da Vassoura é a grande novidade da música pelotense, com suas canções diretas e ao mesmo tempo plenas de metáforas, irônicas e contundentes, que fazem rir e remetem à uma reflexão sobre o nosso cotidiano.
Depois de lançar o seu Ilusionismo Sonoro, com o auxílio luxuoso do pessoal do Ponto de Cultura Outro Sul, Serginho parte agora para Londres, onde vai viver o seu sonho de artista, embora, como ele mesmo adverte através da dedicatória de uma das suas canções – “esta música é para as pessoas que sonham e se esquecem de viver”. Viva Serginho!
SONHO
Quem vive de sonho
é padaria
quem acorda assustado
mal amado
todo mijado
está acordado...
A moça da padaria
quis me dar, mas não pode me dar
um sonho
porque o gerente é assim enrustido
esse tipo de gente
que não gosta de gente...
8 horas da noite
a padaria fecha
e todo sonho velho que sobrou
eu ganho escondido
pela janela...
(Ele sempre vem quente,
depois fica gelado,
é f... quando molha só um lado
'acorda pra cuspir'...)”

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

LORCA Y EL AMANTE URUGUAYO

 

O encontro poético-musical promovido pela Biblioteca Pública Pelotense em 28/08 – XXIV Sarau – e que teve a nossa participação falando sobre o autor em destaque Federico Garcia Lorca (acima), possibilitou uma discussão interessante acerca da vida e da obra do poeta espanhol, nascido na pequena província de Fuente Vaqueros, na Andaluzia, em 1898, e assassinado pelas forças conservadoras espanholas em Granada, no mês de agosto de 1936.
Como todos sabem, a poesia de Lorca, além de sinalar o regionalismo das origens do escritor – o teatro de rua, a dança, as touradas, os ciganos da Andaluzia... (daí a sua clássica obra “Romancero Gitano”) – era caracterizada também pela contundência, pois que denunciativa das desigualdades sociais do período.
Ademais, Federico era republicano e socialista, e muito cedo assumiu a sua condição de homossexual, chocando os conservadores padrões espanhóis da época.
Pois sobre essa última característica do escritor – a da sua opção sexual – surgiu recentemente uma obra que vai dar o que falar, intitulada “El amante uruguayo” e publicada, até onde eu sei, apenas na Espanha até o presente momento.
O livro, uma encomenda feita ao escritor Santiago Roncagliolo (autor peruano, que escreve atualmente para o tradicional “El País” e outras publicações da Espanha), é centrado na história de um suposto namorado uruguaio de Lorca, um escritor de segunda chamado Enrique Amorim, sujeito midiático, que se fez passar até por Sartre numa ocasião, e autor de algumas invenciones que lhe deram certa notoriedade até a sua morte em 1960. Entre elas está o fato de ter erigido um monumento em forma de lápide para Federico, inaugurado na província de Salto em 1953, inclusive com a participação da atriz republicana Margarita Xirgu, que representou o clássico teatral "Bodas de Sangue" de Lorca na ocasião.
Abaixo, a capa do livro “El Amante uruguayo”, cuja publicação no Brasil espera-se que venha a ocorrer até o início do ano que vem.
Para quem quiser se antecipar e saber alguma coisa sobre o tal Enrique Amorim sugere-se os links abaixo, com declarações do próprio autor Roncagliolo. 
A história de Amorim beira a total canastrice e ao absoluto charlatanismo, mas que vai dar o que falar isso não deixa a menor dúvida.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

GAZETA DE LISBOA VENDE HERANÇA...


Quem me enviou o material foi o Sérgio Canhada.
O anúncio aí de cima foi publicado no jornal Gazeta de Lisboa, nº 188, de 10/08/1827*, pg. 4., há cento e oitenta e cinco anos, portanto.
Trata-se da oferta de venda de uma suposta herança no Arroio Grande, Rio Grande do Sul da América, por 18 contos de réis
O valor, se não era nenhuma fortuna, também não era tão pouco, haja vista que daria para comprar quase 5.000 ha. de terras por aqui, com a ressalva de que os campos valiam bem pouco naquela época (o valor de uma panela grande de ferro, por exemplo – 8 mil réis – dava para comprar no mínimo duas hectares de campo).
É pouco provável que se venha algum dia descobrir de quem era a tal herança, se existia ou não, e se acabou mesmo vendida pelo corretor do além-mar.
Mas que tem um cheiro de velhacaria nesse bacalhau, ah isso tem. Publicar anúncio de venda de “uma herança” do inóspito Arroio Grande do início do Século XIX na tradicional Gazeta da civilizadíssima Lisboa de 1827 não parece ser anedota, não; alguém pretendia lucrar nessa história, será que conseguiu?
* Em 1827, data do anúncio, o Arroio Grande, cujo povoamento começara com o erguimento de uns “arranchamentos” lá por 1792 (embora se diga oficialmente que “a cidade foi iniciada no ano de 1803, com Manuel Jerônimo de Souza”[1] – um açoriano), era, ainda, distrito – primeiro de Rio Grande (até 1832), e, desse ano em diante, de Jaguarão (até 1873, quando AG foi elevado à categoria de Vila).
Não obstante, já era esta região denominada à época de “Freguesia do Arroio Grande”, ou “Espírito Santo do Arroio Grande”, e assim permaneceu até 1832 quando ocorreu a emancipação de Jaguarão (esta chamada inicialmente de Guarda da Lagoa e do Serrito, depois chamada de “Espírito Santo do Serrito, ou Espírito Santo da Lagoa”).
Conforme o Sérgio Canhada “já em 1816 este lugar se chamava Arroio Grande, pois no 2º casamento do Souza Gusmão, em 23/5/1816, no Povo Novo, com Maria Pereira (a “tal” Maria Pereira das Neves), ele declara que é 'viúvo que ficou por falecimento de Laureana Maria, sepultada no cemitério do Arroio Grande, distrito da Freguesia do Espírito Santo da Lagoa”.
Segundo os historiadores, até o ano do anúncio, 1827, a região vivia um período aparentemente tranquilo, “brutalmente truncado pelos desdobramentos da guerra da Cisplatina, e muito especialmente pela invasão das forças argentino-uruguaias, em janeiro de 1828” [2].
Jaguarão se aprestava para transformar-se em frente de batalha, muito a contra-gosto de seus habitantes. (…) Todavia, a 7 de janeiro de 1828, atendendo a novos planos do comando geral do exército, as forças se retiraram de Jaguarão para as pontas do Arroio Grande, desprotegendo por completo a jovem povoação. O resultado imediato e lógico dessa manobra desastrada (…) foi o avanço do exército argentino e a ocupação de Jaguarão” [2].
1. Cfe. Alvaro O. Caetano – Município de Arroio Grande – 1945.
2. Cfe. Sérgio da Costa Franco – Origens de Jaguarão – 1980.
Nesse quadro, portanto, de sucessivas escaramuças com os castelhanos que viviam ameaçando tomar conta desta parte da região, foi onde o nosso patrício português (um pouco antes, é verdade, e certamente sem saber dos interesses de Lavalleja, de Rivera e do Gal. Paz), anunciou o “grande negócio” nas nobre páginas da Gazeta de Lisboa – quem quiser comprar uma herança existente no Arroio Grande do Rio Grande do Sul da América...


sábado, 11 de agosto de 2012

TRIBUTO A RAUL



Um leitor me pede que publique "alguma coisa" a respeito do 'Tributo a Raul', ocorrido a exatamente uma semana, no Centro de Cultura Basílio Conceição.
Não pude comparecer a mostra, organizada pelo João Vicente, pelo Márcio Moncks e outros - a turma do rock da cidade, os componentes da Toca do Bandido, da Cão de Guarda, da Lady Jane e de outras bandas locais, além dos irmãos Vidal e outros músicos qualificados do Arroio Grande.
Mas soube que teve casa cheia e música de primeira, como acontece sempre que esse pessoal se reúne; eles que estão fazendo acontecer no cenário musical local.
Para satisfazer o pedido, publico algumas fotos do evento, uma cortesia do Jorge Américo, grande amigo e intrépido repórter, que acompanha tudo nesta cidade, e que esteve lá, no "Tributo a Raul", onde todos - inclusive eu - deveriam estar no sábado passado em Arroio Grande.      

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ESPERA...


Esperando a documentação da provável "Casa Um" do Arroio Grande (postagem abaixo), e enquanto o inverno não vai embora...
Para mim esses dois aí da foto estão entre os melhores vinhos que se pode consumir por aqui - o brasileiro Casa Valduga Premium e o chileno Marques de Casa e Concha, da Concha y Toro - especialmente se considerada a faixa de preço, de R$ 50,00 para o primeiro, e cerca de R$ 60,00 para o segundo, ambos Cabernet Sauvignon, os dois da safra de 2008.  
Alguém tem outra preferência?     

terça-feira, 3 de julho de 2012

"CASA UM"

Faltando menos de cinco dias para os 200 anos de Pelotas – emancipação 07/07/1812, quando ocorreu a elevação da Vila à Cidade – afloram diversos aspectos históricos e culturais da “Princesa do Sul”, que deverá comemorar o seu bicentenário com a pompa que o acontecimento faz por merecer.
Neste sentido, a casa da foto aí de cima está sendo chamada de a “Casa Um” de Pelotas, pois que considerada “o ponto de partida de todo o planejamento urbano do município”, no dizer de alguns historiadores.
Localizada na Rua Major Cícero, 201, em plena zona central da cidade, a casa foi objeto de uma reportagem recente do tradicional jornal Diário Popular, tendo por foco exatamente o bicentenário de Pelotas.
Na matéria, o pesquisador Mário Osório Magalhães chama a atenção para o precário estado da construção, clama pelo seu restauro e conta um pouco da história da casa.
Diz a reportagem (imagem abaixo):
Segundo o pesquisador, a casa foi construída antes de 1809 e dados obtidos na revista do centenário, lançada por João Simões Lopes Neto em 1911, mostram que lá as maiores autoridades da época tomaram decisões importantes, como a escolha da localidade onde seria instalada a primeira capela da província.
Depois (…) foi feito um planejamento da cidade tomando como referência a localização do templo e da casa localizada na rua Major Cícero. Pesquisas também mostram que uma antiga charqueada que pertencia a José Aguiar Peixoto teria funcionado naquele prédio. Em 1806, porém, o imóvel teria sido adquirido pelo capitão-mor (espécie de subprefeito) Antônio dos Anjos, para o qual Torres, o proprietário seguinte da casa, trabalhava como posseiro.
Assim, os primeiros 19 quarteirões projetados em quase perfeito xadrez, onde foram distribuídos os primeiros lotes da Princesa do Sul, tiveram a casa número um como base”.
E em Arroio Grande, qual terá sido a Casa número um?
Que registros existirão da construção que foi o ponto de partida para o aglomerado urbano que viria formar a futura “Terra de Mauá”?
Eu tenho uma ideia, mas antes de manifestar aqui na página quero ouvir as opiniões do Arnóbio e do Sérgio Canhada, ainda que os dois devam naturalmente discordar a respeito.
Mas fica a promessa da publicação, e, muito provavelmente, com direito a fotografia também.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

6º AIMONE EM CANTO


No último final de semana participei auxilando na organização – como pré-selecionador, coordenador de ensaio e, finalmente, como membro da Comissão Julgadora (aqui junto com o Jélson Domingues e a Giovana Camisa) – do 6º Aimone em Canto, ótimo festival de música estudantil do Arroio Grande, que vem se firmando a cada ano como parte das comemorações do aniversário da Escola.
Com o pulso firme do Diretor Paulista, o trabalho e a correria da Verônica, da Jussara Pereira, da Elenise e das demais professoras e membros do Aimone, o evento acabou se tornando um dos maiores acontecimentos de arte da cidade, especialmente pelo pluralismo das músicas participantes, que vão desde o rock pauleira até o nativismo, do pagode a canções românticas, passando pelo gospel e por baladas, abrigando, enfim todo os tipos de música.
Dividido este ano em duas categorias – a estudantil propriamente dita e a categoria livre – o festival chegou a uma das suas maiores edições, proporcionando o grande encontro dos artistas locais.
Na foto aí de cima aparecem o compositor e músico Sidney Bretanha, o letrista João Vicente Salles, os intérpretes Marcelo Frós, Marina Vidal e Letícia Christ, os músicos Márcio Moncks, Matheus e Miguel Vidal, entre outros.
Das grandes canções do festival, destaques para O Inverno no Sul é assim, do Sidney Bretanha, interpretada pela Letícia Christ (música mais popular do festival e melhor letra – “O inverno no Sul é assim/a gente é que faz o calor/Cortando a geada, sem nada/Do jeito que for”), Não volta mais, do Marcelo Fróz e outros (1º lugar, categoria estudante, e melhor intérprete para o Marcelo – “Feche a porta/Não deixe a luz entrar/Porque eu quero lembrar/Do seu rosto.../Porque a vida não volta mais, não volta mais...”), e Velha Novidade (1º lugar, categoria livre – “Eu não tenho ainda um grande amor.../Que me leve pra bem longe da cidade/Que apareça feito velha novidade/Revelando quem sou eu/Pra viver o que tanta gente já viveu”), também do Sidney, interpretada pela Marina Vidal, todas criações interessantes dos nossos artistas, e que passam a fazer parte agora do acervo musical da cidade*, por obra da expressão do Aimone em Canto, evento que a cada ano ganha mais força por aqui.
O festival é uma grande e saudável festa, uma mostra do vigor e da capacidade dos nossos artistas; que venham mais edições então, pois talentos a gente têm de sobra em Arroio Grande, o que falta (como sempre, como em tudo...) é um bom espaço para mostrar a arte de cada um e, principalmente, de todos.
* Foram premiados ainda a Banda Progressão Parcial, João Manoel Machado e a Banda Toca do Bandido, entre outros participantes.

sábado, 23 de junho de 2012

CARLOS FRANCISCO (CIZICO)

Nesses anos todos, sempre que eu me afastei por um tempo um pouco maior de Arroio Grande, coisa de duas, três semanas, um mês no máximo, a primeira pessoa que eu pensava encontrar quando dos meus retornos à cidade, era o Carlos Francisco Caetano, o popular Cizico.
O Cizico foi um símbolo do Arroio Grande. Um cara popular, conhecido e conhecedor de todos, o Cizico foi um personagem da cidade.
Um sujeito simples, alegre e conversador, e sempre, desde muito cedo, com inúmeras histórias para contar.
Guri de mandalete, estafeta, secretário, auxilar de pedreiro, desportista, anotador de jogo de azar, inspetor de disciplina, o Cizico fez de tudo um pouco na vida, e conquistou a amizade e a admiração de todos, convivendo com os diversos grupos sociais do Arroio Grande.
Folclórico, criou a fama de “pé frio”, o que eu mesmo desmenti num texto que já devo ter publicado aqui na página. Para os que não leram a crônica, esclareço: foi com ele, e somente com ele, que, há mais de 20 anos, eu consegui ganhar uma única vez no “jogo do bicho” em toda a minha vida. E acertando na “cabeça”, para não deixar dúvidas.
Ganhei num sábado, na centena do 1º prêmio da Loteria Federal. Depois, na segunda-feira, já não havia dinheiro algum, tinha sido todo ele gasto na própria comemoração, nos bares e nos cabarés da cidade, em bebidas, cigarros e presentes para as “chinas”, numa festa interminável, com a participação dos melhores amigos e com o Cizico junto, é claro.
Tinha me dado sorte o “Negrinho”, assim como sempre deu sorte ao Grêmio e ao Caturrita, os seus times de coração. Ou não foi com o Cizico assistindo os jogos desses clubes que eles conseguiram as suas maiores conquistas? Não foi com ele torcendo junto – no estádio, ou pelo rádio ou pela televisão – que o Renato Portallupi, seu grande ídolo, se tornou o maior jogador da história do Grêmio?
E na política, então? Quem não lembra do Cizico ajudando a eleger o Ermínio prefeito em 96? E fazendo da “mana” Silvana vereadora, e elegendo deputados e senadores... Distribuindo “santinho”, correndo atrás dos votos e ganhando inúmeras eleições. Isso é ser “pé frio”? Não, claro que não, o Cizico era pé quente e a nossa maior sorte foi ter convivido com ele, foi ter privado da sua amizade.
Por isso, quando recebi a notícia da sua morte, na madrugada chuvosa de domingo para segunda-feira, apesar da tristeza, apesar da dor dos seus amigos e familiares, fiquei pensando que o Cizico cumpriu, e bem, o seu ciclo por aqui. Deixou muitas histórias e uma boa lembrança para todos nós.
Por compromissos profissionais inadiáveis, não pude ir ao enterro e sequer ao velório do meu amigo Carlos Francisco. Mas também, o que isso importa? Afinal, quando dos meus retornos ao Arroio Grande, sejam eles quantos forem, eu deverei me encontrar primeiro e antes de mais nada com o Cizico, pois bastará entrar na cidade e o personagem que ele foi estará me acompanhando – da Visconde de Mauá a Dr. Monteiro, do Promorar ao Gitão, pela cidade toda, pela vida inteira, sempre.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

CESARE BATTISTI

Estive com o italiano Cesare Battisti.
Ele veio até Pelotas para lançar o seu último livro – “Ao pé do muro” – nas dependências da Câmara Municipal.
Depois fomos jantar, um pequeno grupo, na casa de um amigo.
Battisti é escritor, possui mais de vinte livros publicados, na sua maioria romances policiais, do gênero noir, que escreveu principalmente na França, quando lá viveu por cerca de uma década, entre os anos 1990 e 2000.
Mas sempre, invariavelmente, quando é apresentado ao público, diz-se dele que “é Cesare Battisti, aquele...”.
As acusações de quatro assassinatos na Itália e a condenação à prisão perpétua pelos crimes que nunca admitiu (fugado, foi julgado a revelia) vão acompanhar Battisti para o resto da vida. É um homem marcado, naturalmente rotulado.
Lá pelas tantas, depois de muito churrasco e incontáveis cervejas, quando conversávamos só os dois, fiz a pergunta que guardara a noite toda:
O quanto te incomoda estar rodeado por pessoas que estão interessadas apenas no personagem, no Battisti da Itália dos anos 70, e não no escritor, no homem que tu és agora?”
Battisti não me olhou, deixou que o olhar se perdesse no espaço que o vão da porta permitia e respondeu, pausada e suspiradamente.
É tudo o que me incomoda, é tudo o que me importa, e eu vou viver o resto da minha vida lutando para me livrar disso”.
Em seguida levantou-se e me alcançou um livro - “Minha fuga sem fim” - que eu pedi que dedicasse ao Sérgio Canhada. (Battisti se surpreendeu quando eu lhe disse que o Sérgio possuía uma biblioteca com mais de 4 mil volumes, morando numa cidadezinha com cerca de 20 mil habitantes, como é o caso de Arroio Grande).
Depois conversamos sobre outras coisas, e eu pude conhecer mais do escritor Cesare Battisti, abandonando um pouco o peso do ativista político, do personagem, aquele do qual o homem Battisti tenta se livrar, numa luta também sem fim e praticamente com a certeza de que jamais conseguirá.