segunda-feira, 25 de junho de 2012

6º AIMONE EM CANTO


No último final de semana participei auxilando na organização – como pré-selecionador, coordenador de ensaio e, finalmente, como membro da Comissão Julgadora (aqui junto com o Jélson Domingues e a Giovana Camisa) – do 6º Aimone em Canto, ótimo festival de música estudantil do Arroio Grande, que vem se firmando a cada ano como parte das comemorações do aniversário da Escola.
Com o pulso firme do Diretor Paulista, o trabalho e a correria da Verônica, da Jussara Pereira, da Elenise e das demais professoras e membros do Aimone, o evento acabou se tornando um dos maiores acontecimentos de arte da cidade, especialmente pelo pluralismo das músicas participantes, que vão desde o rock pauleira até o nativismo, do pagode a canções românticas, passando pelo gospel e por baladas, abrigando, enfim todo os tipos de música.
Dividido este ano em duas categorias – a estudantil propriamente dita e a categoria livre – o festival chegou a uma das suas maiores edições, proporcionando o grande encontro dos artistas locais.
Na foto aí de cima aparecem o compositor e músico Sidney Bretanha, o letrista João Vicente Salles, os intérpretes Marcelo Frós, Marina Vidal e Letícia Christ, os músicos Márcio Moncks, Matheus e Miguel Vidal, entre outros.
Das grandes canções do festival, destaques para O Inverno no Sul é assim, do Sidney Bretanha, interpretada pela Letícia Christ (música mais popular do festival e melhor letra – “O inverno no Sul é assim/a gente é que faz o calor/Cortando a geada, sem nada/Do jeito que for”), Não volta mais, do Marcelo Fróz e outros (1º lugar, categoria estudante, e melhor intérprete para o Marcelo – “Feche a porta/Não deixe a luz entrar/Porque eu quero lembrar/Do seu rosto.../Porque a vida não volta mais, não volta mais...”), e Velha Novidade (1º lugar, categoria livre – “Eu não tenho ainda um grande amor.../Que me leve pra bem longe da cidade/Que apareça feito velha novidade/Revelando quem sou eu/Pra viver o que tanta gente já viveu”), também do Sidney, interpretada pela Marina Vidal, todas criações interessantes dos nossos artistas, e que passam a fazer parte agora do acervo musical da cidade*, por obra da expressão do Aimone em Canto, evento que a cada ano ganha mais força por aqui.
O festival é uma grande e saudável festa, uma mostra do vigor e da capacidade dos nossos artistas; que venham mais edições então, pois talentos a gente têm de sobra em Arroio Grande, o que falta (como sempre, como em tudo...) é um bom espaço para mostrar a arte de cada um e, principalmente, de todos.
* Foram premiados ainda a Banda Progressão Parcial, João Manoel Machado e a Banda Toca do Bandido, entre outros participantes.

sábado, 23 de junho de 2012

CARLOS FRANCISCO (CIZICO)

Nesses anos todos, sempre que eu me afastei por um tempo um pouco maior de Arroio Grande, coisa de duas, três semanas, um mês no máximo, a primeira pessoa que eu pensava encontrar quando dos meus retornos à cidade, era o Carlos Francisco Caetano, o popular Cizico.
O Cizico foi um símbolo do Arroio Grande. Um cara popular, conhecido e conhecedor de todos, o Cizico foi um personagem da cidade.
Um sujeito simples, alegre e conversador, e sempre, desde muito cedo, com inúmeras histórias para contar.
Guri de mandalete, estafeta, secretário, auxilar de pedreiro, desportista, anotador de jogo de azar, inspetor de disciplina, o Cizico fez de tudo um pouco na vida, e conquistou a amizade e a admiração de todos, convivendo com os diversos grupos sociais do Arroio Grande.
Folclórico, criou a fama de “pé frio”, o que eu mesmo desmenti num texto que já devo ter publicado aqui na página. Para os que não leram a crônica, esclareço: foi com ele, e somente com ele, que, há mais de 20 anos, eu consegui ganhar uma única vez no “jogo do bicho” em toda a minha vida. E acertando na “cabeça”, para não deixar dúvidas.
Ganhei num sábado, na centena do 1º prêmio da Loteria Federal. Depois, na segunda-feira, já não havia dinheiro algum, tinha sido todo ele gasto na própria comemoração, nos bares e nos cabarés da cidade, em bebidas, cigarros e presentes para as “chinas”, numa festa interminável, com a participação dos melhores amigos e com o Cizico junto, é claro.
Tinha me dado sorte o “Negrinho”, assim como sempre deu sorte ao Grêmio e ao Caturrita, os seus times de coração. Ou não foi com o Cizico assistindo os jogos desses clubes que eles conseguiram as suas maiores conquistas? Não foi com ele torcendo junto – no estádio, ou pelo rádio ou pela televisão – que o Renato Portallupi, seu grande ídolo, se tornou o maior jogador da história do Grêmio?
E na política, então? Quem não lembra do Cizico ajudando a eleger o Ermínio prefeito em 96? E fazendo da “mana” Silvana vereadora, e elegendo deputados e senadores... Distribuindo “santinho”, correndo atrás dos votos e ganhando inúmeras eleições. Isso é ser “pé frio”? Não, claro que não, o Cizico era pé quente e a nossa maior sorte foi ter convivido com ele, foi ter privado da sua amizade.
Por isso, quando recebi a notícia da sua morte, na madrugada chuvosa de domingo para segunda-feira, apesar da tristeza, apesar da dor dos seus amigos e familiares, fiquei pensando que o Cizico cumpriu, e bem, o seu ciclo por aqui. Deixou muitas histórias e uma boa lembrança para todos nós.
Por compromissos profissionais inadiáveis, não pude ir ao enterro e sequer ao velório do meu amigo Carlos Francisco. Mas também, o que isso importa? Afinal, quando dos meus retornos ao Arroio Grande, sejam eles quantos forem, eu deverei me encontrar primeiro e antes de mais nada com o Cizico, pois bastará entrar na cidade e o personagem que ele foi estará me acompanhando – da Visconde de Mauá a Dr. Monteiro, do Promorar ao Gitão, pela cidade toda, pela vida inteira, sempre.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

CESARE BATTISTI

Estive com o italiano Cesare Battisti.
Ele veio até Pelotas para lançar o seu último livro – “Ao pé do muro” – nas dependências da Câmara Municipal.
Depois fomos jantar, um pequeno grupo, na casa de um amigo.
Battisti é escritor, possui mais de vinte livros publicados, na sua maioria romances policiais, do gênero noir, que escreveu principalmente na França, quando lá viveu por cerca de uma década, entre os anos 1990 e 2000.
Mas sempre, invariavelmente, quando é apresentado ao público, diz-se dele que “é Cesare Battisti, aquele...”.
As acusações de quatro assassinatos na Itália e a condenação à prisão perpétua pelos crimes que nunca admitiu (fugado, foi julgado a revelia) vão acompanhar Battisti para o resto da vida. É um homem marcado, naturalmente rotulado.
Lá pelas tantas, depois de muito churrasco e incontáveis cervejas, quando conversávamos só os dois, fiz a pergunta que guardara a noite toda:
O quanto te incomoda estar rodeado por pessoas que estão interessadas apenas no personagem, no Battisti da Itália dos anos 70, e não no escritor, no homem que tu és agora?”
Battisti não me olhou, deixou que o olhar se perdesse no espaço que o vão da porta permitia e respondeu, pausada e suspiradamente.
É tudo o que me incomoda, é tudo o que me importa, e eu vou viver o resto da minha vida lutando para me livrar disso”.
Em seguida levantou-se e me alcançou um livro - “Minha fuga sem fim” - que eu pedi que dedicasse ao Sérgio Canhada. (Battisti se surpreendeu quando eu lhe disse que o Sérgio possuía uma biblioteca com mais de 4 mil volumes, morando numa cidadezinha com cerca de 20 mil habitantes, como é o caso de Arroio Grande).
Depois conversamos sobre outras coisas, e eu pude conhecer mais do escritor Cesare Battisti, abandonando um pouco o peso do ativista político, do personagem, aquele do qual o homem Battisti tenta se livrar, numa luta também sem fim e praticamente com a certeza de que jamais conseguirá.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

DISTRITOS DE ARROIO GRANDE-SANTA ISABEL



Santa Isabel do Sul, Distrito de Arroio Grande, é, ou deveria ser, patrimônio cultural e histórico do Estado, afinal a atual pequena Vila de Pescadores já foi um dos pilares do povoamento às margens do Canal São Gonçalo – via fluvial de cerca de 60 quilômetros que faz a ligação entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim – possuindo gloriosa história, pelo que viveu, inclusive, o seu decênio de independência política (de 1882 e 1893), quando veio a se chamar Santa Isabel dos Canudos, naquele que é considerado o momento de maior orgulho da comunidade isabelense em toda a sua existência.
Segundo artigo de Cledenir Mendonça*, a vida da comunidade de Santa Isabel, quanto à sua formação histórica, pode ser sintetizada da seguinte forma:
1815 – Povoamento
07/12/1866 – Freguesia
02/01/1867 – 5º Distrito de Jaguarão
09/05/1882 – Villa de Santa Isabel dos Canudos
01/07/1882 – 1ª Eleição de Vereadores
27/01/1883 – Auto de Instalação da 1ª Câmara de Vereadores
07/11/1885 – Código de Posturas Municipal
11/04/1890 – Dissolvida a Câmara e formada a Junta Municipal
04/09/1890 – Arroio Grande anexa parte de Santa Isabel
31/12/1892 – Divisão Judiciária para Arroio Grande
16/01/1893 – Suprime Santa Isabel e anexa a Arroio Grande
29/12/1944 – Passa a se chamar Vila Açoriana
14/11/1952 – Passa a se chamar Santa Isabel do Sul, ficando em definitivo como Distrito de Arroio Grande.
Atualmente, a Vila de Santa Isabel resume-se a presença de poucos habitantes no local, na sua maioria pescadores que trabalham com as suas pequenas embarcações, possuindo pequenas casas de comércio, posto de saúde e escola pública, sendo que a barca ("balsa" -última foto) que fazia a travessia do Canal São Gonçalo –ligação entre os municípios de Arroio Grande e Rio Grande –encontra-se de há muito desativada, sendo frequentes as promessas de ligação asfáltica ou mesmo da criação de um pontilhão sobre o Canal, vivendo os moradores da Vila, também neste sentido, numa espera que parece não ter fim. Faz anos.
* Cledenir Vergara Mendonça, morador do Povo Novo, “lado” de Rio Grande, é Pós-Graduado em História pela FURG e profundo conhecedor da história da Vila de Santa Isabel.

sábado, 26 de maio de 2012

DISTRITOS DE ARROIO GRANDE-MAUÁ

Pedreiras (postagem abaixo) é um dos distritos do Município de Arroio Grande; os outros são o distrito de Santa Isabel do Sul e o distrito de Mauá, sendo que este faz divisa com Herval, pelo oeste, e com Jaguarão, pelo Sul.
O distrito de Mauá possui esse nome em homenagem a Irineu Evangelista de Souza, o Barão e Visconde de Mauá, grande personagem do Império, filho mais ilustre de Arroio Grande, onde nasceu em 28 de dezembro de 1813.
No distrito de Mauá existiu uma Estação de Trem que, inaugurada em 1925 como ponta de linha do ramal, passou a fazer parte do trajeto para Jaguarão (Basílio {no Herval}-Carvalho Freitas {idem}-Airosa Galvão-Mauá-Herculano de Freitas {todas em Arroio Grande}-Jaguarão) a partir do ano de 1932, sendo desativada no final dos anos 1970, início dos anos 80.
Da antiga Estação Mauá restaram algumas ruínas e pouquíssimas fotografias, como a que aqui se publica, mais uma lembrança do "interior do interior" - a zona rural dos pequenos municípios, antes povoada por grande número de habitantes, esperançosa do desenvolvimento e do progresso, e agora fadada ao abandono e ao esquecimento. Definitivamente. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

DISTRITOS DE ARROIO GRANDE-PEDREIRAS

O Município de Arroio Grande, formado pela Sede Urbana e pelos Distritos de Mauá, Pedreiras e Santa Isabel, possui uma área total de 2.514 kms2, e conta, atualmente, com cerca de 20 mil habitantes, sendo que, destes, menos de dois mil (inferior a 10%) residem na zona rural.
Mas teve uma época em que tudo foi diferente, onde a habitação na zona rural predominava, sendo o número de moradores dos distritos praticamente o triplo dos habitantes da sede urbana do município:
Em 1940*, por exemplo, a população de Arroio Grande era a seguinte:
Sede do Município: 2.619
Zona Rural: 13.580
Total: 16.199
Em 1950*:
Sede do Município: 3.173
Zona Rural: 14.703
Total: 17.876
* Fontes: "Município de Arroio Grande" - Alvaro O Caetano, 1945; e IBGE. 
Neste quadro, isto é, com cerca de três quartos da população local residindo na zona rural, os distritos de Arroio Grande viveram um período de prosperidade, especialmente dos anos 1960 até fins da década de 80, a partir de quando, por razões diversas, entraram em absoluto declínio.
A foto acima é mais ou menos do início desta época, quando o expansionismo da região e a exploração do calcáreo nas proximidades (Vila Matarazzo) levou a criação de um núcleo inteiro no Distrito das Pedreiras (posteriormente “Vila Brasileiras”).
Hoje, as antigas casas viraram escombros, e os habitantes simplesmente desapareceram, foram embora para sempre da pequena e próspera localidade. As Pedreiras, enquanto núcleo habitacional, praticamente não existe mais, como, de resto, ocorreu com a população que preenchia a maioria dos distritos do município.
"As Pedreiras" desapareceram, tudo indica que para sempre!

terça-feira, 8 de maio de 2012

"UM ÁS DO JÚRI"


8 de maio de 1912. Há cem anos nascia, em Pelotas, Ápio Cláudio de Lima Antunes.
Formado em Direito em 19 de setembro de 1935 (homenagem à Revolução Farroupilha, segundo dizia), Ápio Antunes, foi, no decorrer da sua extensa trajetória como advogado, um exemplo de correção, de sabedoria e de coragem.
Professor universitário "cassado" por um decreto dos militares, Ápio, antigo militante do Partido Comunista Brasileiro - PCB - foi perseguido pela ditadura de março de 64, tendo que viver exilado no Uruguay por um bom período. Posteriormente, retornou para o Brasil e para Pelotas, respondeu dois IPMs (Inquérito Policial Militar), sendo, ao final, absolvido da acusação de "traição a pátria" (uma imputação genérica que os militares costumavam fazer aos opositores do regime), embora tivesse perdido a cátedra na Universidade Federal de Pelotas.
Advogado brilhante, especialmente como criminalista, Ápio costumava ser elegante com os colegas e era duro e intransigente na defesa dos seus constituintes.
Amigo pessoal do pai do autor desta página, Ápio Antunes, que atuou no Tribunal do Júri junto aos maiores tribunos do Rio Grande do Sul e do Brasil - Eloar Guazzelli, Oswaldo Lia Pires, Mathias Nalgestein e Amadeu Weinman, entre diversos outros - costumava dedicar rasgados louvores ao colega Pedro Jaime Bittencourt, como os elogios registrados na publicação Pelotas em Revista, e que integram este texto, quando Ápio comentou sobre um júri que muito o impressionou, ocorrido nos anos 1980.  
(Depoimento de Ápio Cláudio de Lima Antunes à publicação Pelotas em Revista - maio de 2000):
"...Mas o promotor apelou e veio um terceiro júri, do qual o Guazzelli não quis participar. Não sei o motivo. Então, no lugar dele, tive o auxílio do famoso advogado de Arroio Grande, chamado Pedro Jayme Bittencourt. Ele é um homem extraordinário pelo seu talento, pela sua cultura, sua erudição e sua oratória. Ele é um orador extraordinário, fantástico. É o maior orador judiciário que eu já vi na minha longa carreira de advogado criminalista. Cheguei a trabalhar com o mais famoso advogado brasileiro, o dr. Sobral Pinto. Fiz júris com Sobral Pinto e posso dizer que Pedro Bittencourt era superior a Sobral Pinto. Ao terminar o júri, mais uma vez o resultado foi a absolvição. O caso foi encerrado." (pgs. 19 e 20 - cópias que ilustram esta postagem).
Em resposta aos elogios do Ápio, o Pedro - que tinha pelo velho colega e professor uma deferência igualmente extraordinária -, costumava dizer: "Doutor, o Sr. é muito gentil, muito generoso, mas também bastante exagerado em suas palavras". Ao que o Dr. Ápio retrucava: "Para a sua inteligência e a sua oratória não existem exageros, doutor"...
E assim seguiam os dois, numa conversa de gigantes, de homens cultos, sábios, eruditos, homens de um tipo que, infelizmente, já não existem mais, da estirpe de um Ápio Cláudio de Lima Antunes, um "Ás do júri", como referido pela publicação, na verdade um Ás do advocacia, um Ás do direito, um Ás da vida! 
O Dr. Ápio Cláudio de Lima Antunes morreu em 2003, aos 91 anos de idade.

sábado, 5 de maio de 2012

73 ANOS

Hoje - 5 de maio - é a data de aniversário do Esporte Clube Arroio Grande, o Saci, tradicional associação de futebol da cidade de mesmo nome.
É verdade que tal data não é pacífica, haja vista que o surgimento do ECAG é discutido, até hoje, sendo apontadas duas datas para a sua fundação.
Uma, constante dos Estatutos do Clube, que, no seu artigo 1º, assegura o seguinte:
"O ESPORTE CLUBE ARROIO GRANDE, fundado em 5 de maio de 1939, nesta cidade de Arroio Grande, Município de mesmo nome, onde tem sede, é uma sociedade civil, composta de número limitado de sócios...".
Outra, decorrente de um ofício enviado pela entidade para o tradicional Jornal "A Evolução", publicado em 09 de setembro de 1939, onde a Diretoria do novo clube, através do secretário, dava a seguinte notícia:
"Ilmo. Sr. Diretor da Evolução. Tenho a máxima satisfação de comunicar a essa folha que no dia 4 do corrente foi fundado nesta cidade o ESPORTE CLUBE ARROIO GRANDE...
Arroio Grande, 5 de setembro de 1939.
Mário Silveira Haubmann - Secretário".
A polêmica das datas foi exaustivamente examinada no livro O "Clássico" - Uma história de paixão (fls. 35 a 44), chegando-se a conclusão de que a data da fundação do ECAG foi mesmo 05 de maio de 1939, sendo esta a data de aniversário do clube azul e encarnado, que está, portanto, comemorando 73 anos de idade, sempre buscando retornar às atividades esportivas, não obstante as dificuldades que o fim de amadorismo do futebol da região trazem neste sentido.
De qualquer forma, trata-se de uma data comemorativa, para a qual a página traz até os leitores a fotografia do primeiro time do Arroio Grande (provavelmente do ano de 1940 - acima), onde aparecem os seguintes componentes:
Em pé: Papaco, Lauro Maciel, Cilinho, Bridone (ou Bordoni), Pipi, Caetano e o dirigente Emílio Hissé;
Ajoelhados: Cesalpino, Dega, Jesus Lúcio e Gilberto;
Sentados: Cencinho e Clarito.
Foram esses os homens que literalmente deram o pontapé inicial na trajetória do Clube que se tornou um dos maiores vencedores do futebol amador da região sul e do próprio estado do Rio Grande do Sul.           

sexta-feira, 27 de abril de 2012

CERTAS MANHÃS DE ABRIL(*)

Final do mês de abril do ano de 1990 (**).
Em poucos dias, o Rogério Espíndola (Geco) e o autor desta página deixariam Arroio Grande e Pelotas e partiriam para Lisboa - Portugal, numa aventura que teve início depois de uma madrugada em que os dois beberam mais de duas caixas de cerveja - na "Beth Bolacha" (localizada na XV de Novembro, esquina Voluntários à época) -, esperaram o banco abrir, rasparam as respectivas contas bancárias e, no limite, compraram as passagens rumo à capital dos lusitanos, numa viagem maluca, sem qualquer previsão de retorno.
Sabedor da partida dos amigos, o Carlinhos Bessa Martins (que havia metido na cabeça que era "devedor" do autor da página em razão de uns serviços que este lhe prestou como advogado), resolveu "pagar" os honorários, estipulados (por ele mesmo) inicialmente em "duas sacas de feijão, uma saca de milho, dez quilos de cebola e cinco de tomate", tudo culturas que o Bessa jurava que iria produzir na chácara da namorada, interior de Pedro Osório.
Frustrada a "safra", o Carlinhos resolveu trocar o "pagamento", e decidiu quitar os honorários patrocinando um churrasco de despedida para o seu advogado e alguns amigos de Arroio Grande e de Pelotas, todos reunidos em Pedro Osório, mais precisamente num clube do Cerrito, distrito de Pedro Osório à época.
Na foto (sempre da esquerda para a direita - de cima para baixo) os personagens de um encontro único, inesquecível:
Eraldo Lopes Machado, Pedro Bittencourt Jr (Juninho), Fábio Bonneau, Vanfredo Ghan (Ganso) e Luís Carlos Gastal;
Ricardo (Donga) Freitas, Birinha (Gita), João Luís Garcez, Rogério (Geco) e Plínio Cavalheiro Salles;
Gordo (P. Osório), Mário (P. Osório), Sílvio Lima (Silvinho), Carlinhos Bessa Martins, Jacques Chiachio, Otacílio (Lila) Cortez e Claudionir (Kiko) Coelho.
Por diversas vezes pensei em promover o reencontro desta turma (antes que outros resolvam fazer como o Jacques, que resolveu nos deixar...); por diversas razões, porém, a ideia não vingou, no próximo abril, quem sabe...
(*) Certas canções de abril é o título de uma composição inédita, feita em parceria entre o autor da página e o Basílio Conceição, quando moraram juntos em Pelotas, na primeira metade dos anos 80.
Como todos sabem, o Basílio morreria no início de abril de 1990 (vítima de acidente de carro, em Rio Grande), cerca de um mês antes do encontro de Pedro Osório, que reuniria muitos dos seus amigos.
(**) Até hoje não tenho certeza se esse encontro foi no último domingo de abril, ou no primeiro domingo de maio de 90, quem lembrará???

sábado, 21 de abril de 2012

POESIA-MEMÓRIA

Publicado em abril de 1965, o soneto "Ruínas" (acima) transformou-se num clássico da poesia local. O autor, Lauro Machado, poeta sensível e delicado, colaborou com vários poemas para o jornal "A Evolução" e outros periódicos da região.
Lauro Machado aparecerá futuramente aqui na página, numa pequena biografia, como "personagem do Arroio Grande".
Por enquanto, ficam os versos de "Ruínas" (dedicado à mãe do poeta, Augusta), para a apreciação dos leitores.
Ruínas
(À Minha Mãe)
Velha choça deserta, desprezada,
Vencida, mas de pé, em desalinho,
Tu lembras uma enferma abandonada
Num leito de destroços no caminho.
...
Tão triste, comovida e torturada,
Infeliz como um pássaro sozinho
Tu recordas assim desconsolada
A solidão daquele passarinho
...
Que dolorosa predestinação!
Tu vais vivendo como vive a gente
De tédio, desencanto e solidão...
...
E nós, também acumulando escombros,
Vamos sentindo, amarguradamente,
Os destroços da vida sobre os ombros.

(Lauro Machado - A. Grande, abril de 1965)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

PERSONAGENS DO ARROIO GRANDE (VII) - JOÃO TEIXEIRA, O "MARTA ROCHA"

A sequência do verso "minh'alma clama a liberdade em que vivi", onde o Basílio diz - "sabe que existe outro caminho por aí", na canção Delírio (postagem abaixo), tem a sua origem numa frase de João Fernandes Teixeira - o Marta Rocha - figura ímpar da Cidade, que viveu em Arroio Grande de 1942 até 11/12/1978, quando faleceu precocemente aos 36 anos de idade.
"Eu sei que existe outro caminho por aí!" - no original - era uma frase que o Marta Rocha utilizava com certa frequência, referindo-se ao período da ditadura militar que se instalou no Brasil (1964-1985), e que, especialmente no período em que o Marta viveu o seu amadurecimento político, literalmente ditava os caminhos das pessoas na Cidade, no Estado e no País.
Em razão disso, isto é, da aspereza e do confronto característicos do período, Marta Rocha costumava apontar o dedo para as pessoas - seus interlocutores ou meros assistentes dos verdadeiros shows de oratória que ele proporcionava - disparando a expressão contundente, cunhada na luta de ideias que a esquerda travava contra a ditadura política e policial de então.
Inteligente e falastrão, irreverente e beberrão*, o Marta - que tinha esse apelido em razão do longos cabelos loiros, que os amigos comparavam aos da conhecida beldade baiana Marta Rocha, eleita Miss Brasil no ano de 1954, mas que se tornaria famosa por perder o título de Miss Universo nos EUA por alegadas "duas polegadas a mais" (uma versão divulgada por um jornalista da Revista "O Cruzeiro", jamais comprovada, mas que mexeu com o orgulho nacional) -, João Teixeira foi um tipo extraordinário da Cidade, especialmente pelo que representou no cenário político, como "guru" da esquerda local - do antigo trabalhismo ao MDB.
Ficaram célebres os discursos que Marta Rocha e Pedro Jayme Bittencourt - ambos exímios oradores - desfilaram nos palanques da cidade nos anos 60 e 70, quando, se utilizando de extraordinários argumentos retóricos, desafiavam o medo infundido pelos poderosos da época, e conclamavam as pessoas a buscarem "outro caminho" para o Arroio Grande, para o Rio Grande e para o Brasil, especialmente através do voto.
Assim os ativistas políticos ajudaram a eleger os irmãos Lauro (1963) e Ney Cavalheiro (1972) como Prefeitos de Arroio Grande (únicos prefeitos "de esquerda" eleitos na cidade em mais de 5 décadas), assim eles encantaram gerações de espectadores que não cansam, até hoje, de exaltar os dotes de oratória da dupla de tribunos.
De ofício "Rábula" (espécie de advogado que pratica a profissão sem ser diplomado), Marta Rocha foi também desportista, inclusive presidindo o Grêmio Esportivo Internacional logo em seguida à passagem dos primeiros 25 anos do Clube Caturrita (1971), mas foi mesmo como ativista político e como mentor intelectual de parte da geração da sua época que João Teixeira acabou lembrado, e, também, por um certo mistério que a sua personalidade "anti-social" deixou, fruto, ainda, da sua breve mas marcante passagem como personagem da cidade.
*Um pouco antes da morte de Marta Rocha, o autor da página, então com apenas 17 anos de idade, e quase sempre acompanhado do músico Basílio Conceição, costumava encontrar-se com o famoso personagem no Bar Quitandinha, localizado bem no cruzamento das ruas Dr. Dionísio de Magalhães e Júlio de Castilhos, para, entre discussões intermináveis e beberagens homéricas, testemunhar todo o talento e o extraordinário poder de retórica do homem que marcou toda uma época do Arroio Grande.
- A página ainda está esperando uma fotografia melhor do Marta Rocha, prometida que foi por amigos e familiares dele; a foto lá de cima é um “recorte” e mostra o Marta ao fundo do Bar “Meu Cantinho”, provavelmente entre os anos 1967/1969.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

DELÍRIO

Basílio Conceição (1953-1990).
Foi mais ou menos por esta época (começo de abril) que o Basílio morreu, no já distante ano de 1990.
De lá para cá o Basílio - bancário, comerciário, ruralista; poeta, músico, compositor; diabo, louco, inconsequente; amigo, parceiro, irmão - virou ícone, virou mito, virou Basílio Conceição.
Vinte e dois anos depois, o recado dele - do músico Basílio - ainda permanece forte, agudo, contundente, como nas estrofes de Delírio, uma das primeiras composições conhecida do arroiograndense, um poema gerado ainda nos tempos difíceis do final dos anos 1970, início dos anos 80, tempos de solidão, de incertezas, de busca por caminhos, de sonhos de liberdade.
Os versos de Delírio são um símbolo do cancioneiro do "Diabo", uma marca que se apresenta atual ainda hoje, mais de 30 anos depois da sua criação.
Para quem quiser conhecer...
Delírio
"Minha glória é estar só
e não querer mais do que isto:
revirar este deserto;
minha sombra pelas ruas,
não refaz nenhum tormento
vive apenas ao acaso...
Mas naõ me venham com rosas
nem compaixão
'inda prefiro a flor do campo
e esta negra solidão.
Quero tão somente a paz
e a imensidão das madrugadas,
este amor calamidade...
me sentir latente e estar
na mente insana dos amigos
que infernizam a cidade.
Minh'alma clama a liberdade
em que vivi,
sabe que existe outro caminho
por aí
e vai...
volvendo novos vendavais pelo país
é um delírio que me invade o coração
e me faz feliz!"

sábado, 31 de março de 2012

HÁ 30 ANOS...

1982 - O processo de redemocratização do país, iniciado com a Anistia de 1979, avança. Em 15 de novembro, a oposição, em conjunto, irá conquistar maioria na Câmara dos Deputados. Os movimentos sociais assumem o seu papel e vão começar a pedir Eleições Diretas; o movimento estudantil retoma a sua trajetória e a UNE, proscrita de 1966 a 1973, busca a reconstrução da sua Sede, assim como a UEE, que quer recuperar o seu espaço como mostra a carteirinha abaixo, editada, por coincidência, num 31 de março, dia do golpe militar de 64.
O Aldyr Schlee, o Angelo "Zanatta", o Carlos Ricardo, o Luís Carlos Gastal, o Henry Petry Jr, o Nélson Harter e outros colegas da época ainda devem lembrar desse documento.
Terão a carteirinha ainda?

sábado, 24 de março de 2012

DETENÇÃO DE PODER

Os piores são os professores de matemática, seguidos ‘mui’ de perto pelos de física. Depois, vêm os mecânicos, os economistas e os advogados; por último, os técnicos em informátic, estes atualmente já meio contraditados pelas próprias informações da internet.
Todos eles representam um tipo de profissional que detém o conhecimento inacessível para a maioria dos mortais, e, o que é pior, todos eles fazem de tudo para que ninguém, ou – vá lá! – muito pouca gente, se aproprie desse conhecimento.
São os “detentores do poder”, aqueles que conhecem o que de mais complicado existe: as fórmulas matemáticas e físicas, os motores dos automóveis, as contas públicas, os pergaminhos legais e os transistores dos computadores.
Eu nunca soube de nenhum professor de matemática ou de física que fizesse questão absoluta de simplificar aquelas fórmulas complexas expostas no quadro negro. Normalmente, eles se colocam a uma distância segura dos alunos e quando interagem com a platéia é para sentenciar:
“É bem fácil, muito simples, mas se vocês não entenderam até agora...”.
O mecânico é semelhante, só muda de localização. Normalmente, ele sai debaixo de um carro (após uma meia hora de espera do cliente, parado na porta da oficina...), depois escuta (quase sempre olhando para o chão) a informação sobre o problema do veículo, para, finalmente, declarar: “Deve ser... (tem o clássico ‘a rebimboca da parafuseta’) daqui a duas horas 'ta resolvido”. Dez horas depois, quando o carro finalmente fica pronto, a gente paga e vai embora, sem saber exatamente o que aconteceu, mas pelo menos sai feliz com o conserto.
Já os economistas, os advogados e os técnicos em informática têm o mesmo tipo, de falar muito, quanto mais possível, de maneira que a gente se atrapalha logo quando está começando a compreender o que eles dizem, até ficar novamente sem entender nada.
Detenção de poder – todo mundo gosta de exercer, ao menos por um dia, nem que seja como “leão de chácara”, que decide ali, na hora, no ato, se o
‘di menor’ pode ou não entrar no cabaré.
Detenção de poder – estar com um microfone na mão, usar um espaço no jornal para criticar todo mundo, tudo com a certeza de que as pessoas atingidas não terão a mesma oportunidade.
Detenção de poder – os professores de matemática e de física têm, os economistas e os advogados têm, os mecânicos e os técnicos em informática têm, os radialistas e os jornalistas têm, quase todos possuem, ainda que pelo conhecimento que adquiriram ao longo das suas vidas como profissionais.
Já os políticos são aqueles que melhor experimentam essa sensação de “detenção do poder”, muito embora a imensa maioria deles não saiba nada de matemática, nem de física, nem de mecânica, nem de economia, nem de informática, nem de jornalismo, nem de direito, nem de nada!
Mas, afinal, se até os “leões de chácara” podem...