sábado, 31 de março de 2012

HÁ 30 ANOS...

1982 - O processo de redemocratização do país, iniciado com a Anistia de 1979, avança. Em 15 de novembro, a oposição, em conjunto, irá conquistar maioria na Câmara dos Deputados. Os movimentos sociais assumem o seu papel e vão começar a pedir Eleições Diretas; o movimento estudantil retoma a sua trajetória e a UNE, proscrita de 1966 a 1973, busca a reconstrução da sua Sede, assim como a UEE, que quer recuperar o seu espaço como mostra a carteirinha abaixo, editada, por coincidência, num 31 de março, dia do golpe militar de 64.
O Aldyr Schlee, o Angelo "Zanatta", o Carlos Ricardo, o Luís Carlos Gastal, o Henry Petry Jr, o Nélson Harter e outros colegas da época ainda devem lembrar desse documento.
Terão a carteirinha ainda?

sábado, 24 de março de 2012

DETENÇÃO DE PODER

Os piores são os professores de matemática, seguidos ‘mui’ de perto pelos de física. Depois, vêm os mecânicos, os economistas e os advogados; por último, os técnicos em informátic, estes atualmente já meio contraditados pelas próprias informações da internet.
Todos eles representam um tipo de profissional que detém o conhecimento inacessível para a maioria dos mortais, e, o que é pior, todos eles fazem de tudo para que ninguém, ou – vá lá! – muito pouca gente, se aproprie desse conhecimento.
São os “detentores do poder”, aqueles que conhecem o que de mais complicado existe: as fórmulas matemáticas e físicas, os motores dos automóveis, as contas públicas, os pergaminhos legais e os transistores dos computadores.
Eu nunca soube de nenhum professor de matemática ou de física que fizesse questão absoluta de simplificar aquelas fórmulas complexas expostas no quadro negro. Normalmente, eles se colocam a uma distância segura dos alunos e quando interagem com a platéia é para sentenciar:
“É bem fácil, muito simples, mas se vocês não entenderam até agora...”.
O mecânico é semelhante, só muda de localização. Normalmente, ele sai debaixo de um carro (após uma meia hora de espera do cliente, parado na porta da oficina...), depois escuta (quase sempre olhando para o chão) a informação sobre o problema do veículo, para, finalmente, declarar: “Deve ser... (tem o clássico ‘a rebimboca da parafuseta’) daqui a duas horas 'ta resolvido”. Dez horas depois, quando o carro finalmente fica pronto, a gente paga e vai embora, sem saber exatamente o que aconteceu, mas pelo menos sai feliz com o conserto.
Já os economistas, os advogados e os técnicos em informática têm o mesmo tipo, de falar muito, quanto mais possível, de maneira que a gente se atrapalha logo quando está começando a compreender o que eles dizem, até ficar novamente sem entender nada.
Detenção de poder – todo mundo gosta de exercer, ao menos por um dia, nem que seja como “leão de chácara”, que decide ali, na hora, no ato, se o
‘di menor’ pode ou não entrar no cabaré.
Detenção de poder – estar com um microfone na mão, usar um espaço no jornal para criticar todo mundo, tudo com a certeza de que as pessoas atingidas não terão a mesma oportunidade.
Detenção de poder – os professores de matemática e de física têm, os economistas e os advogados têm, os mecânicos e os técnicos em informática têm, os radialistas e os jornalistas têm, quase todos possuem, ainda que pelo conhecimento que adquiriram ao longo das suas vidas como profissionais.
Já os políticos são aqueles que melhor experimentam essa sensação de “detenção do poder”, muito embora a imensa maioria deles não saiba nada de matemática, nem de física, nem de mecânica, nem de economia, nem de informática, nem de jornalismo, nem de direito, nem de nada!
Mas, afinal, se até os “leões de chácara” podem...

terça-feira, 20 de março de 2012

O GOVERNADOR EM TEMPOS DE CÓLERA

Tentando construir uma imagem poética:
A relação entre o magistério estadual e o governo Tarso Genro lembra um pouco aquela briga entre Fermina Daza e o Dr. Juvenal Urbino em "O amor nos tempos do cólera".
Começou pela falta de sabonete no banheiro, transitou pelo terreno das acusações, culminou com a ruptura (não definitiva) da relação, prolongando-se em acertos e desacertos pela vida inteira.
E isso apenas pela acusação de quem foi o responsável por "faltar o sabonete" no banheiro.
Imagina quando, além do sabonete, ameaça faltar o papel, o gás, a luz, a água, o arroz, o feijão... Definitivamente, não há poesia que aguente!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A CIDADE HEROICA NÃO PODE SE RENDER A GOLPISTAS!

JUSTIÇA DÁ UMA LIÇÃO AOS GOLPISTAS DE JAGUARÃO!!!
Parabéns à Democracia - A vontade popular deve ser RESPEITADA!
Mas a luta não para por aqui, quem já viveu a experiência sabe: os golpistas, os covardes, a canalha sempre volta, ou (ao menos) tenta voltar.
A vigília tem que ser permanente - Jaguarão possui um passado glorioso, seus filhos não merecem ver manchada toda uma história pela leviandade de um golpe articulado por aqueles que, não possuindo qualquer valor, pretendem ver desrespeitada a vontade popular.
Democracia sempre, golpe NUNCA MAIS!!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

DUAS MULHERES


Esclarecendo as referências feitas aos textos da escritora Bruna Lombardi (São Paulo, 1º de agosto de 1951) e da poetisa americana Elizabeth Bishop (8.2.1911 - 6.10.1979) insertos na crônica “Sobre mulheres e mulheres” (postagem abaixo), o primeiro – escrito por Bruna – tem o título de “Uma mulher”, e o segundo, de autoria de Bishop, chama-se “A arte de perder”; a transcrição integral de ambos segue agora para apreciação e deleite dos leitores. (O poema “A arte de perder” possui diversas traduções que lhe alteram completamente o sentido; esta, a do post, é a versão preferida do autor da página).


UMA MULHER (Bruna Lombardi)


Uma mulher caminha nua pelo quarto

É lenta como a luz daquela estrela

É tão secreta uma mulher que, ao vê-la,

Nua no quarto, pouco se sabe dela


A cor da pele, os pelos, os cabelos,

O jeito de pisar, algumas marcas,

A marca arredondada das suas ancas,

A parte onde a carne é mais branca...


Uma mulher é cheia de mistérios

Tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina...

Ele envelhece e esconde uma menina

Que adormece onde ela está agora


E o homem que descobre uma mulher

Será sempre o primeiro a ver a aurora.



A ARTE DE PERDER (Elizabeth Bishop)


A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.



Perca um pouco a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.



Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subsequente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.



Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.



Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.



Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.”

quinta-feira, 8 de março de 2012

SOBRE MULHERES E MULHERES

(Para a Maria Eduarda, para a Marília Kosby, para a Míriam Marroni, e para a Verônica, naturalmente)

A minha mulher não nasceu para ser dona de casa, mas sim para ser a dona da casa, e dona das ruas e das estradas, e dos campos e das cidades, e dos arroios e dos mares, também.

A minha mulher nasceu para ser dona de tudo – o que é elevado e o que é pequeno, o que é forte e o que é frágil –, a minha mulher nasceu para ser dona de si própria, da sua razão e dos seus sentimentos, e para ser a dona do meu coração, também.

A minha mulher nasceu para ser Maria, nasceu para ser poesia, nasceu para ser política, para aprender e para ensinar, mas nasceu, a minha mulher, sobretudo para ser mulher, todos os dias.

Ela – a minha mulher – nasceu para ser exibida, nasceu para andar bem vestida, e para andar com pouca roupa quando está de bem com o corpo; a minha mulher nasceu para estar de bem o corpo, nasceu para viver de bem com a vida.

A minha mulher nasceu para ser Bruna Lombardi (“uma mulher é feita de mistérios, tudo se esconde: os sonhos, as axilas, a vagina, ela envelhece e esconde uma menina, que permanece onde ela está agora...”), nasceu para ser Elizabeth Bishop (“tantas coisas contém em si o acidente, de perdê-las, que perder não é nada sério; perca um pouco a cada dia, aceite austero, a chave perdida bestamente, a arte de perder não é nenhum mistério...”); a minha mulher nasceu para ser diva, nasceu para ser cinema, nasceu para ser teatro, ela é pura dramaturgia, todos os dias.

(A minha mulher não nasceu sequer para ser minha, ela não veio ao mundo para ter qualquer dono, nem para viver como uma bolachinha decorativa de um pacote qualquer; a minha mulher – eu já disse – nasceu para ser dona de si mesma, e isso é tudo!).

Por isso é que, todos os dias, quando eu olho para a minha mulher – que se chama Maria, que se chama Marília, que se chama Míriam (e que se chama Marcela, que se chama Mariela, que se chama Maristela...), e que se chama Verônica, naturalmente – eu percebo que “de mulher” não é possível saber, sobre mulheres não existem verdades (“você diz a verdade e a verdade é o seu dom de iludir, como pode querer que a mulher vá viver sem mentir”); uma mulher a gente deve apenas acariciar e celebrar, e pedir-lhe licença e tempo, e dedicar a vida inteira para tentar descobri-la, no pouco que ela tem de cada mulher, no muito que ela tem de si mesma – indócil, picante e orgulhosa – simples e eternamente.

domingo, 4 de março de 2012

PEDRO E PAULO

A posição no campo era a mesma – ambos centromédios, na segunda metade dos anos 70.
A camisa também – os dois nº 5, camisetas vermelhas, do Esporte Clube Arroio Grande e do Sport Club Internacional –, mas a trajetória profissional, o sucesso e, principalmente, os cabelos, quanta diferença...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

DEU NO JORNAL

Atenção Senhores Doutores Juízes!
Pretores, Juízes, Desembargadores, Ministros da Suprema Corte;
juízes de Futebol, jurados e julgadores de todas as espécies.
A notícia aí de cima* é o resultado do julgamento popular, e não adianta contrariar, pois, como diz o Arnaldo, a regra é clara!
* Jornal "A Evolução" - edição de 25/02/12 - pg 03.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A MENORIDADE AMEAÇADA

Uma antiga questão, da existência ou não do que se chama de “alma coletiva”, vem a tona sempre que surgem fatos impactantes que alteram o cotidiano de uma cidade.
A pergunta que se faz é bastante simples, embora de difícil resolução. Pergunta-se: é possível rotular-se uma cidade inteira com base na inclinação de parte dos seus habitantes? Existem cidades “trabalhadoras”, existem cidades “preguiçosas”?Existirão cidades “atuantes”, cidades “omissas”? Ou, o que é bem mais complexo: Existem cidades saudáveis? Existem cidades doentes?
A questão é instigante e quem tiver a melhor resposta que jogue aí na rede para que a gente possa buscá-la. E tentar entender.
Tentar entender, por exemplo, o que está acontecendo com Arroio Grande, a “Cidade Simpatia” – um lugar tranquilo, hospitaleiro, acolhedor–, que, de repente, vem se transformando, nos últimos tempos, no centro das notícias das páginas policiais do Estado, mas não por acontecimentos simples, triviais, senão que por fatos bastante fortes, contundentes, gravíssimos. E, o que é pior, quase todos acontecimentos protagonizados por menores de idade – infantes, adolescentes, jovens –, aqueles, enfim, que deveriam exprimir o futuro da cidade.
Menores infratores, é certo, mas também menores vítimas de uma sociedade doente, que aposta que a saída do anonimato pode estar na execução de um tiro, de uma facada, no apertar de um botão da net para ser notado, imitado e até – pasme-se! – invejado. Resultado: exibicionismo e crimes.
Hoje se agride, se fere, se mata, se faz qualquer coisa para ser “curtido”, “comentado”, “compartilhado”. Somos uma sociedade demente, que compartilha simplorice, comenta futilidades e curte desgraças como nunca. Estamos, sim, doentes, e, o que pior, assistimos ao resultado da nossa enfermidade sem esboçar qualquer reação ante a intolerância, a agressividade e a loucura que repercutem principalmente nos jovens que deveriam protagonizar o futuro da sociedade.
Sim, porque quem está ameaçado não somos nós, velhos inúteis, que fracassamos na construção do mundo “justo e igualitário” que sonhávamos para os nossos filhos. Quem está ameaçada é a menoridade, é a adolescência, a infância, que não soubemos cuidar, em meio ao nosso permanente prazer pela futilidade, por “curtir”, “comentar” e “compartilhar” a vida dos outros muito antes de cuidar da nossa.
E, nesse bisbilhotar contínuo do “quintal do vizinho”, permanecemos paralisados, sem mostrar qualquer reação, sem fazer nada que preste, apenas espiando, espiando, espiando...
E, quando não se mostra reação, quando se vive na superficialidade, ou a gente está doente de preguiça, ou a gente está doente de caráter, restando esperar para saber mais tarde afinal qual é a pior dessas moléstias.
De qualquer modo, ambas as doenças doem, e a dor que vai cortar mais fundo na alma da cada um é, às vezes, apenas uma questão de tempo.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

OUTROS CARNAVAIS

Carnaval em Arroio Grande. Quem gosta que vá para as ruas, ocupar os camarotes ou as calçadas da Dr. Monteiro. Mas são outros carnavais, esses de agora. Não são como os da época do Gilberto - o barbeiro Gilberto Nobre (na 1ª foto abaixo, com um dos seus inúmeros filhos) - já falecido há alguns anos.
O Gilberto foi protagonista e grande articulador dos melhores carnavais de rua do Arroio Grande.
Com ele, surgiriam o "Bloco da Falsa Baiana", no final dos anos 1940 (2ª foto); depois, o barbeiro criaria o mais tradicional bloco de carnaval da Cidade: o famoso "Papagaio da Rua Nova" (3ª foto), grupo carnavalesco que deve ter durado cerca de meio século (com os seus grandes bonecos, ao estilo de Olinda e Recife: o Gigante, o Morcego...), para desaparecer próximo exatamente ao final do carnaval de rua, perto da morte do Gilberto, há cerca de duas décadas, mais ou menos.
Hoje, resta o carnaval das Escolas de Samba, já decadente também, sem apresentar o esplendor que escolas como a Promorar, por exemplo, traziam para a Dr. Monteiro nos primeiros anos da década passada (4ª foto), e que hoje não conseguem mais se repetir - em originalidade, em beleza, em magia - aos olhos dos espectadores da cidade.
Por saudosismo, talvez, por pura nostalgia, afinal todos sabem que o melhor carnaval será sempre "o carnaval que passou"...



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

EU ASSISTO BIG BROTHER BRASIL

Quase todo mundo fala mal do Big Brother Brasil, diz que não assiste ao programa, mas quase todo mundo assiste ao Big Brother Brasil.
Por vezes, eu também falo mal do programa, até porque ele é ruim mesmo, muito embora eu não tenha o menor problema em assistir ao Big Brother Brasil.
Todos os dias não, que não vou trocar um programa no bar com os amigos, a ida a uma pizzaria com os filhos, ou um jantar fora com a mulher para assistir qualquer programa da televisão, seja qual for a sua condição instrutiva.
Mas, quando estou em casa, eventualmente assisto ao Big Brother Brasil e me divirto com as questões dos participantes da Casa, que não são as mesmas da vida de cada um de nós, mas que são as questões lá deles, dos integrantes de um programa de televisão, já que o BBB é simplesmente isto: um programa feito para entreter, mais nada.
Por isso é que não entendo a raivosidade que os críticos do BBB dedicam ao programa, nas conversas, nos artigos de jornais e agora em campanhas de boicote ao reality nas redes sociais.
Falam que o programa é “fútil”, mas quer coisa mais fútil do que se utilizar de um serviço como o facebook, por exemplo, para postar sempre as mesmas banalidades, tipo “bom dia para os que já acordaram”, “bora pro banho”, “bora pra balada”, “bora dormir” e outras bobagens do gênero que não interessam a ninguém, como fazem diariamente a imensa maioria dos usuários das redes sociais?
Falam que o programa tem sexo demais, mas onde? Que parte afinal é essa do BBB que eu estou perdendo? Onde que o programa tem mais sexo que nas escolas, nas ruas, no dia-a-dia das pessoas? Isso sem falar nos bares, nas festas, nas boates, em todos os lugares.
Falam que o BBB desvirtua o “padrão de comportamento moral” dos brasileiros, mas o programa que assisto tem leveza, tem diversão, tem até inocência; para mim, honestamente, o Big Brother Brasil chega a ser até simplório de tão inocente que é.
Mas, tudo bem, as pessoas têm todo o direito de não gostar – repito: o programa é ruim mesmo – e de falarem mal do BBB, como costumam fazer especialmente aqueles que posam de “mais esclarecidos” perante a opinião pública.
Mas esses – como todos os espectadores, aliás – ao invés de fazer campanha raivosa contra o programa, terão sempre a alternativa de trocar de canal, a fim de preservarem os seus reclamados “valores morais”.
Poderão assistir, por exemplo, a TV Senado, cheia de assessores parlamentares que ganham vinte, trinta mil reais por mês para não fazer absolutamente nada; ou assistir programas como os do Datena ou do Ratinho, que costumam explorar a miséria humana às últimas consequências; ou então assistir algum documentário sobre a disciplina dos monges do Tibete, ou, sei lá, sobre a vida dos golfinhos do Mar Cáspio.
Sinceramente, eu ainda acho bem mais interessante a bunda da Laisa.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MILLÔR E EU



Sem qualquer comparação, mas apenas para efeito de confirmação junto àqueles que descrêem quando a gente afirma que o Millôr Fernandes já andou pilchado, e que eu mesmo já usei bombacha, posto as fotografias acima, apresentadas sem nenhuma montagem, garanto.
A minha foto foi tirada numa chácara, num churrasco campeiro, e é bastante atual.
Já a imagem do Millôr, que é o que interessa, tem mais de 30 anos, e foi retirada do post "Millôr vai ao Pampa", ótimo texto do Ivan Pinheiro Machado, do blog da L&PM, que pode ser conferido através do link abaixo:


domingo, 5 de fevereiro de 2012

NOTÁVEIS

Alguém já disse que a internet “é perigosa para o ignorante e útil para o sábio”, o que transforma a ferramenta numa arma violentíssima, se levarmos em consideração que o mundo tem, hoje, cada vez mais ignorantes e menos sábios.
Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que as pessoas estudavam – além de português e matemática, também latim, inglês e francês, e literatura e filosofia... –, liam – Shakespeare, Cervantes, Dostoievski; Neruda, Borges, Garcia Márquez... –, pesquisavam – na Larousse, na Barsa, na Britânica, e não somente no Youtube, no Google ou na Wikipédia.
Resultado: tivemos até próximo aos anos sessenta (lá se vão 50 anos, meio século!), gerações e gerações de “notáveis”, que são aquelas pessoas que (o próprio nome já diz) se notabilizam pelo sua sabedoria e pelo conhecimento acumulado, contribuindo para a transformação dos lugares onde vivem, como muitos fizeram também aqui em Arroio Grande.
Mas hoje, em plena era da internet, época da pesquisa fácil, do aprendizado vulgar, do falso conhecimento, quem seriam os sábios, os notáveis desta cidade?
Sem citar nomes, dá para contar nos dedos essas pessoas, bastando para isso reparar na extraordinária memória do intelectual, na sabedoria do culto advogado, no conhecimento da incansável pesquisadora, na capacidade do irretocável escritor, na acumulação de ensinamentos da professora e no talento de mais alguns poucos personagens que não preenchem duas mãos, sendo que praticamente todos têm mais (alguns bem mais) de sessenta anos de idade.
E das novas gerações, o que esperar? Quantos mais podem efetivamente contribuir para transformar verdadeiramente esta cidade?
Na verdade, passamos de um tempo em que as normas, as regras, as leis deixaram de ser pensadas pelos sábios, para serem editadas pelos medíocres.
Com o desaparecimento dos notáveis e a ascensão dos ignorantes, peças como a Declaração Universal dos Direitos do Homem – “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos...” –, por exemplo, estão se tornando obsoletas, arcaicas, gastas.
Aliás, com essa turma que aí está – em Brasília, no Rio Grande do Sul, em todos os lugares –, com a sua paixão por cursos de aproveitamento duvidoso, por passeios levianos, pelo gasto fácil do dinheiro público, não é difícil prever que a próxima Constituição do Brasil e as novas Leis Orgânicas dos Municípios, quando editadas, venham a começar por um texto bem mais de acordo com a vida moderna e com os interesses dos astutos “sábios” da atualidade.
Dá até para imaginar o artigo primeiro:
Art. 1º - Ficam definitivamente liberadas as diárias.*
Revogam-se as disposições em contrário.
Alguém duvida?
* Para que se entenda: os Vereadores da pequena e pobre Arroio Grande foram os “campeões” da região sul em diárias, nos anos de 2010/2011, segundo pesquisa divulgada. A maioria justifica a retirada das diárias para fazer “cursos de aperfeiçoamento” (média de um por mês) em Porto Alegre.

Publicado no Jornal "A Evolução", edição de aniversário (Fundação 05.02.1933) em 03.02.2012.