quarta-feira, 13 de março de 2013

13.03.2008 - 13.03.2013


Criado em 13.03.2008 para promover o lançamento do livro 13 Lugares e meio do Arroio Grande e outras referências (imagem acima), o blog autorretrato está completando exatos 5 anos e, passados os 60 mil acessos, quase 500 postagens, mais de 400 comentários e 33 seguidores depois, resolve fazer agora a sua despedida “definitiva” (houve outra, em 2010, quando o blog parou por cerca de um ano) das páginas da net.
Por inúmeras razões que aqui não serão expostas, pois serviriam apenas para molestar os leitores ou algum visitante que porventura ainda vier a aparecer pela página, o autor resolveu parar e decidiu escolher para a despedida exatamente a data de aniversário do blog, como uma homenagem ao começo da uma experiência de 5 anos, e que, afinal, teria um dia que terminar, como acabam todas as histórias, da vida real ou virtual, sejam elas escritas ou não.
13.03.2008, o começo; 13.03.2013, o fim.
Cinco anos de autorretrato – o blog, que aqui jaz definitivamente.

sexta-feira, 8 de março de 2013

VEÍCULOS - ARROIO GRANDE - 5 GERAÇÕES

Carro da Prefeitura Municipal - Anos 1940
Carreata conduzindo o jogador Ari, do E. C. Arroio Grande - Anos 1950
Acidente na estrada - Anos 1960
Gincana Automobilística - Anos 1970
Fusca no Centro ao entardecer (?) - Anos 1980

sábado, 2 de março de 2013

MAUÁ - 200 ANOS

Locomotiva - Acesso à "Terra de Mauá"
Busto de Mauá - Centro de Arroio Grande
                                            Avenida Visconde de Mauá - Foto antiga
Obelisco - Local onde nasceu Mauá
                                            Antiga Estação de Trem 
Este é o ano do bicentenário do Visconde de Mauá (1813/1889).
200 anos desde que o menino Irineu nasceu na pequena Vila de origem açoriana, para partir aos 9 anos de idade e depois ganhar fama e fortuna no Rio de Janeiro, onde ficaria conhecido como o maior empresário da história do Império brasileiro.
Literatura e estudos sobre Mauá existem muitos, lembranças na sua terra natal também.
Aqui, Mauá foi nome de Estação de Trem (última foto), é nome da principal Avenida da cidade (4ª foto), e recebeu obelisco (3ª foto) e busto (2ª foto) em sua homenagem, isso sem falar que Arroio Grande ficou conhecida como “Terra de Mauá”, o que acabou trazendo recentemente uma locomotiva para ser instalada junto ao pórtico da cidade (1ª foto).
Que as autoridades locais saibam da real importância do seu filho mais ilustre; é preciso que os 200 anos de Mauá sejam lembrados de maneira exemplar, com o planejamento de eventos e homenagens que, aliás, já deveriam começar desde agora.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SALVE JORGE

Após a confecção do convite dos 15 anos da Nazine (postagem abaixo), o Pedro Bittencourt desandou a enviar a invitacion para todo mundo - arroiograndenses, gaúchos, uruguaios e brasileiros de toda a espécie, especialmente baianos, pois que o aniversário trazia também uma espécie de reinauguração da "Rua da Bahia", criada pelo poeta um ano antes, em 1974.
Assim, o Pedro resolveu enviar o convite para diversas personalidades da Bahia, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymi, Jorge Amado e outros, com uma fórmula tão singela quanto imprecisa, pois simplemente postava no Correio - "Caetano Veloso - Salvador - Bahia" - sob o lógico argumento de que qualquer carteiro deveria saber o endereço de tão ilustre figura.
Não se sabe até hoje quem recebeu o convite, já que apenas uma dessas personalidades respondeu ao chamado, o que deixou a todos nós extremamente orgulhosos.
Foi o velho Jorge Amado, que, declarando o recebimento do convite, mandou um livro - Capitães de Areia - e uma Carta manuscrita para a Nazine, que dizia mais ou menos assim:
"Nazine, recebi, honrado, o convite para a tua festa de 15 anos, a qual, entretanto, por motivos diversos, me é impossível comparecer. Mas quero te desejar toda a felicidade do mundo, aí junto aos teus familiares e amigos. Arroio Grande é longe, impossível te mandar flores, razão pela qual te envio o 'Capitães de Areia', como prova do meu carinho e afeto. Um abraço. Jorge Amado."  
A Carta do Jorge (a quem eu procuraria na Bahia uma década depois - Rua Alagoinhas, n° 22, Bairro Rio Vermelho, Salvador-BA -, em 1985) foi, infelizmente, perdida, mas como a Nazine continuou se comunicando com ele, o grande escritor brasileiro seguiu presenteando-a com livros, dos quais eu guardei o "São Jorge dos Ilhéus", que a minha irmã recebeu com a seguinte dedicatória (imagem acima):
"Nazine. Não sei se já lhe mandei o 'São Jorge dos Ilhéus'. Agradeço a sua carta de 27 de abril, que só agora e aqui respondo, pois estava escrevendo um romance. Estou saindo de viagem para a Europa e África, voltarei em janeiro. Um abraço. Jorge Amado. Bahia, 1979."
Jorge Amado tornou-se imortal simplesmente por ser como era. Salve Jorge!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

NAZINE - 16 DE FEVEREIRO

No dia 16 de fevereiro de 1975, a Nazine, filha do Pedro e da Josina, irmã mais velha da Magali, e também do autor desta página, estava completando 15 anos.
Em consequência, o pai dela, o velho Pedro Jaime Bittencourt (então novo), uma mistura de advogado com poeta, resolveu fazer uma festa, mas não uma festinha qualquer de 15 anos, senão que decidiu abrir as portas da casa da família – a Casa da Josina – na Rua Júlio de Castilhos, nº 34, em Arroio Grande, para convidar meio mundo, entre amigos, conhecidos e passantes, conterrâneos, vizinhos ou gente de além fronteiras, razão pela qual imprimiu um convite(*) que circulou pela Cidade inteira, por grande parte do Rio Grande e por pedaços do Brasil.
Na porta da casa, um lembrete: “convite aos não convidados”, o que salvou o Pedro de eventuais esquecimentos e garantiu a todos o acesso à grande festa.
E essa festa, iniciada pelo Pedro Bittencourt há quase quarenta anos, acabou durando (na época) cerca de 3 dias; três dias não, pois que continua até hoje, algumas décadas depois.
16 de fevereiro – aniversário da Nazine, filha do Pedro e da Josina, irmã mais velha da Magali, e do autor desta página.
Feliz aniversário, Nazine, e que o convite(*) para a tua festa seja eterno, como a memória de quem o criou.
(*) Seguem, reproduzidos, alguns trechos do convite; ampliando a imagem é possível ler na íntegra. 
Notícias sobre ela: nasceu no dia 16 de fevereiro... aqui em arroiograndinho. Cursou o ginásio e muitas noites bonitas. Baiana do Rio Grande do Sul. Batizada e por evidência cristã...
Em feitio de convite: Uma rua da Bahia. Em Arroio Grande. Dia 15 de fevereiro, 1/2 noite. Dia 16 até 17 chegar. Samba, chopp, wuisque...
Levantamento do local: Cansou de ser garagem, virou poesia. Estado d'alma...
Sambão da Pesada: Todo mundo toca, todo mundo canta...
Momento Religioso: Dia 16 às 7 do poente. Missa. Com Deus e violão...  Se não souber rezar, murmure ao menos. Deus entende tudo.
Esportes: Campeonato individual de halterocopismo. Candidatos fortíssimos. Entre eles o pai da aniversariante.
Horóscopo: NAZINE: 16 de fevereiro. SIGNO: AQUARIUS. Sensibilidade. Amor pelo samba e pela noite. Um presente feliz e um futuro que seu pai, sua mãe, seus irmãos, os avós, os parentes e os amigos desejam que seja grande como a ternura das preces, e feliz, feliz, feliz como os olhos de quem sonha ou de quem ama...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

OUTROS CARNAVAIS

Clube do Comércio Arroio Grande - Carnaval 1975-1976
Escola de Samba Unidos do Promorar - Carnaval início anos 2000
Bloco da Falsa Baiana - Carnaval anos 1950

Houve um tempo em que o Carnaval de Arroio Grande era totalmente de rua, como na época dos blocos do “Papagaio da Rua Nova” e “Falsa Baiana” (última foto), comandados pelo conhecido Gilberto Nobre, "o barbeiro", morador da antiga Rua Duque de Caxias, atual Basílio Conceição, e, muito provavelmente, a Rua Nova “detrás da Igreja” de que nos fala a história do Arroio Grande.
Mais recentemente, veio o tempo das Escolas de Samba, da popular “Unidos do Promorar” (foto do centro), e das campeoníssimas “Samba no Pé” e “São Gabriel”, entre outras escolas da Cidade;
Mas também teve o tempo do Carnaval dos clubes sociais – o Clube Guarani, o Caixeiral e o Comércio – tradicionais sociedades de Arroio Grande, que lotavam de foliões nos seus carnavais.
Na 1ª fotografia, um baile de Carnaval no ano de 1975 (ou 1976), no salão do Clube do Comércio de Arroio Grande, onde é possível reconhecer, na pista, Henry Petry Jr, Sinéia Ribeiro, Ceceno Carriconde, Marco Antônio Costa, Denise Moraes, Júlio Ribeiro, Maria Alcinda Bonneau, Oscar Carriconde Jr, o popular Cao, Lídia Soares, Heloísa Christ, Plínio Cavalheiro Salles e o autor da página, entre outros foliões da então nova geração de AG.
Eram realmente outros carnavais.   

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O NÚMERO 1


O jornal “A Evolução”´, o semanário mais tradicional e de maior longevidade em Arroio Grande, está comemorando 80 anos neste 5 de fevereiro, fundado que foi em 1933 pelo dentista Oscar Marinho Falcão.
Em razão do aniversário, acabei criando, a pedido da Karina Mattos, atual Diretora, um Caderno Especial comemorativo, repassando, ainda que superficialmente, alguns acontecimentos que marcaram a história de “A Evolução”, na forma como é possível resumir em quatro breves páginas.
Como a versão impressa do jornal sai somente na quinta-feira, fica aqui, para os leitores do “autorretrato”, uma reprodução apenas da primeira Capa de “A Evolução” – o Número 1 – lançado em 4 de fevereiro de 1933 (porque será que a data comemorativa do jornal é dia cinco, e não quatro???), hoje um exemplar raríssimo, que o próprio acervo do jornal não contêm, e que nós guardamos com todo o cuidado depois que nos apropriamos do mesmo, há cerca de cinco anos.
Jornal “A Evolução” - tradição e compromisso com a informação, 80 anos a serviço da notícia em Arroio Grande. Parabéns!   

sábado, 26 de janeiro de 2013

BRECHT


Estou num dilema, mas daqueles bons de resolver.
Tenho que encontrar para quem doar a obra completa de Brecht para Teatro, uma coleção de 12 volumes, lançada pela Paz e Terra, há umas três décadas mais ou menos.
O dilema é que tem muita gente que quer a coleção, mas eu gostaria de entregá-la para quem fosse realmente utilizar a obra, e não para ficar depositada numa prateleira qualquer, por mais honesta que seja a biblioteca.
Estou pensando em procurar o pessoal do Dunas, ligado a turma do Ponto de Cultura “Outro Sul”, que vem produzindo um pouco de tudo: música, literatura, dança, e, talvez, possa produzir teatro também.
Quem sabe o teatro do camarada Brecht encenado nas ruas de um dos bairros mais pobres de Pelotas? E por quê não?
Brecht é aquele alemão, dramaturgo e poeta, autor de “A ópera dos três vinténs” e “O casamento do pequeno burguês”, entre outros épicos, mas que ficou famoso no mundo ocidental – mais afeito as frases rápidas e de efeito – pela expressão que embalou inúmeras gerações de marxistas: Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida, Estes são os imprescindíveis”.
A frase, cunhada como símbolo de perseverança na luta por um mundo mais justo, mais fraterno e mais solidário, era para ser um conceito da vida; entretanto, pelo que se vê nos dias atuais, parece estar mais para teatro. Brecht sabia.

sábado, 12 de janeiro de 2013

MARIGHELLA


Minha leitura de verão está sendo “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, de Mário Magalhães, um jornalista “ex-repórter” da Folha de São Paulo que se revelou excelente escritor com a apresentação de uma obra que levou quase 10 anos para ser concluída.
A vida de Carlos Marighella (1911/1969), um mulato baiano, neto de escravos e de italianos, comunista e revolucionário, é realmente de tirar o fôlego, e merecia um livro do porte do que foi lançado. Mais: é merecedor também de um grande filme ou de um seriado para a televisão.
Marighella, um estudante de engenharia civil que escrevia poesia, foi deputado comunista (PCB) constituinte em 1946, e acabou por enfrentar inúmeras prisões – desde Fernando de Noronha até a Ilha Grande (por conta dos regimes autoritários do Estado Novo, de Vargas, e do golpe de 64). Em razão da ditadura militar, fundou e dirigiu a ALN (Ação Libertadora Nacional) e passou grande parte da sua vida na clandestinidade.   
Morreu cravejado de balas numa emboscada do DOPS, comandada pelo Delegado Fleury, um símbolo da ditadura militar, na noite de 6 de novembro de 1969, em São Paulo, Capital. Detalhe: Marighella estava desarmado.
Hoje, Marighella é tema de livros (dezenas deles), de documentários (existem pelo menos dois: de Sílvio Tendler e de Isa Ginspum), de seminários, palestras e – vejam só! - até de músicas, como “Mil faces de um homem leal”, do Racionais MCS e a recém lançada “Um comunista”, do conterrâneo baiano Caetano Veloso.
As canções eu já escutei, agora vou tentar conseguir mais tempo para me dedicar a ler o livro de Magalhães – a caneta do escritor e o legado de Mariguella bem que merecem.

domingo, 6 de janeiro de 2013

CAROS COLEGAS


Sexta-feira fui à formatura da minha filha Maria Eduarda. Da 8ª Série, Ensino Fundamental. Na minha época se chamava Ginásio. Eu não lembro bem da minha formatura da 8ª Série, ocorrida quando eu tinha 14 anos de idade, como tem a minha filha agora.
Mas recebi a foto do Sílvio Kosby e reconheci quase todos os colegas - da 8ª A e da 8ª B, do ano de 1974, Ginásio Estadual de Arroio Grande, atual Instituto Aimone Soares Carriconde.
Publico a foto aqui e agora (clique na imagem para ampliar), na esperança de que alguns colegas se encontrem e acabem se comunicando entre si.
Saudades daqueles que não vejo há anos, como o Nené Pereira e o Zé Thomáz, e dos que já partiram, como o Luiz Otávio e a Célia, ela que contracenou comigo, fazendo a bruxa, no teatrinho do colégio.
Um beijo a todos os meus colegas, e que a gente possa se reencontrar um dia, com o carinho e a esperança que nos unia lá atrás.
1ª fila - "Muquirana", Pedro Jr., Julinho Tri-tri, Zé Thomáz, Nando Petry, Toninho, Luiz Otávio, Cacaio “Gita”, Sílvio Kosby, "Minhoca", Clênio;
2ª fila - Antônio Fernando, César Moura, Gustavo Pereira (Nené), Renata (Lalaca), Deisy, Viviane, Célia, Hélida, Nazine e Clair;
Sentadas: Rejane, Isolda, Ludimila, Profª Cláudia Furtado (paraninfa), Maria Cláudia, Cleusa (?), Lídia Conceição, Vera Lúcia Garcia e Angela Coelho.
*Faltam as duas "Elianas", a Brasil e a Lúcio, os dois "Oscar", o Luiz e o Casinho, o Rudimar (Cazuza), o Enei, o Gervásio, o Alvim Amarilho, o Cacá (do Turco), o Tavares, a Ana Maria, a Maria Alcinda, a Marlete e alguns outros. Onde terão se escondido na hora da foto? Teria uma terceira turma???
** Talvez eu, traído pelo tempo e pela memória, tenha errado o nome de alguém, ou mesmo confundido a imagem. Perdão, perdão... 

sábado, 29 de dezembro de 2012

NÓS QUE AMÁVAMOS A REVOLUÇÃO

Eu nasci no fim do primeiro ano do início da década das revoluções. Do século passado, naturalmente. Nasci antes dos movimentos de 68 e depois da “movida” mexicana – Frida Kahlo, Diego Rivera e Trotsky, e a aproximação de Che e Fidel, os protagonistas da revolução cubana de 59.
A criança que eu fui foi, como tantas, vitimada pelo golpismo de 64 e atingida, via reflexa, pelos efeitos do AI-5 de 68. De forma imediata fomos, todos, presa fácil do ufanismo patriótico do “Brasil Ame-o ou deixe-o” dos anos 1970. “As praias do Brasil ensolaradas lálálálá...” – Dom e Ravel – e as irmãs Amarilho hasteando a bandeira toda a semana na Escola Dr. Dionísio da Magalhães, na periferia pobre do Arroio Grande.
Em contrapartida, pude conhecer a geração hippie dos anos 70, o resultado do Woodstook americano de 69 – a combinação explosiva de JJJ – Janis Joplin, Joan Baez e Jimy Hendrix –, sexo, drogas e rock an roll, e as consequências do Vietnã de Keneddy e Nixon, e de Kruschev e Ho Chi Min. Make love not war, dê carona ao mochileiro... slogans em profusão, uma ideia na cabeça e uma câmera na mão.
Resultado: a Guerra Fria, a guerra suja... Brasil, 1964, Uruguay, 1973, Chile, 1973, Argentina, 1976... nós, feridos por uma sucessão de golpes, amávamos a revolução, e ganhamos as ruas nas décadas de 70 e 80 para reivindicar, para cobrar, para exigir: democracia, liberdade e justiça.
Ganhamos. Mas perdemos a revolução. Ela, se acaso veio, não ficou. Passou. Pelo País inteiro, pelo Estado e pelo Arroio Grande. Deve ter se dirigido para os confins da América, voado sobre as geleiras da Patagônia e vai ver que se atrapalhou lá pelas curvas do Cabo Horn antes de aterrissar n'algum lugar do Atlântico ou do Pacífico. Onde? Terra do Fogo ardente!?! Ushuaia libre?!? Punta Arenas free?!? Aonde foi parar a nossa revolução???
A revolução foi embora e nós deixou órfãos de sonhos e de anfetaminas.
De lá para cá uma ressaca só, única. Geração coca-cola, geração celular, geração pc, notebook, tablet, ipod, chip no cérebro; geração pqp.
Eu nasci num fim de ano, como agora. E perdi.
Perdi para o consumo, perdi para a falta de sonhos, perdi para a desesperança, perdi para mim mesmo, perdi.
Feliz fim de ano então, meu velho, mais um ano passado, perdido entre os sonhos da juventude, as fantasias da velhice e a revolução que (nós amávamos) e que não veio até nós.
Ao final, resta apenas receber a nossa sentença – irreparável, definitiva, sem direito a qualquer recurso... – da lavra de um JB qualquer e amparada nos princípios editoriais da Folha, da Rede Globo e da Veja: – Feliz ano novo, cidadão, afinal o senhor acaba de negociar apenas mais um ano da sua vida! 
A crédito e em suaves prestações, naturalmente. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

CRONIQUETA PARA O APANHADOR

 
Vi “O apanhador no campo de centeio” na mesa de cabeceira do quarto do meu filho. Ele está tentando ler o clássico de J. D. Salinger. Assim como tentou ler também “On the Road”, do Kerouac, e “Hells Angel's”, do Hunther Thompson. Antes, eu já havia me deparado com a “Metamorfose”, do Kafka, entre as coisas do guri. São boas escolhas, é certo, e não se pode negar que ele – recém chegado aos 18 anos – está buscando, tentando... Mas é difícil. Dos citados aí em cima, “O apanhador” é a história de um jovem de 16 anos nos EUA dos anos 1940-50, o que parece não ter nada a ver com os dias de hoje. Assim como “Hells Angel's” e “On the road”, símbolos da contra-cultura de 50, 60 anos atrás, que despertam mais curiosidade do que satisfação, pois dizem respeito a uma outra época, de jovens com outra formação, embora sejam obras que mantêm acesa a chama da irreverência, da transgressão que marcou aquele período.
E isso atrai, é claro. A todas as gerações. Aliás, não é a toa que o meu filho frequentemente pergunta por Ginsberg e tem algumas obras do Bukowski junto às coisas dele.
Sinais do fim da adolescência, ou do crescimento de um jovem em busca de afirmação, a procura de desafios, ou que simplesmente quer chamar a atenção, sei lá. O que sei é que todos nós, de alguma forma, passamos por essa fase, independentemente daquilo que será a nossa característica – de leitores ou de abobados – mais adiante.
Eu, por exemplo, nunca me esqueço de uma ocasião, quando eu tinha os meus dezessete anos, em que uma menina, mexendo na minha mochila, pegou o “Cem Anos de Solidão”, do Garcia Márquez, e tentou me esculhambar na frente de todo mundo. – Queres te exibir! – ela disse – com um sorriso maldoso, semi-disfarçado sob o cabelo ruivinho, brandindo o livro em frente à turma que já ensaiava uma vaia. Eu cheguei a titubear por alguns segundos, verdadeiramente tremi, mas não demorou muito e a resposta veio como eu necessitava: esperta, aguda, irrebatível. – Se quisesse me exibir eu lia Joyce – disse, arrancando o livro das mãos da loirinha, e quase que sentindo o peso de um clássico de mais de 800 páginas entre as minhas próprias mãos.
Naquela época, eu ainda não conhecia o “Ulysses”, mas, que diabos, se era para me exibir...
(Se eu fosse o meu guri, não tirava o “Metamorfose” de dentro da mochila, exceto para colocar no lugar dele um Dostoievsky...).     

sábado, 15 de dezembro de 2012

BASÍLIO, PEDRO, CABOCLO - GROELÂNDIA, HERMENA, DIABLURAS...

A releitura de Groelândia, do Basílio Conceição, música dos anos 1970, pelo Edu Damatta, neste fim de ano do fim do mundo, conta com paisagens pampeanas e imagens dos poemas das paredes da casa do Pedro Bittencourt na Praia do Hermenegildo, além da musicalidade do próprio Caboclo e do luxuoso sax do Daniel Zanotelli. Para ouvir e guardar, para além do dia 21. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

CIRCO (9/12/1972) - HÁ 40 ANOS!

 
CIRCO
            Sérgio Silveira Canhada
O círculo monstruoso
circo de palhaços trágicos
- máscaras esfarrapadas -
gira cada vez mais rápido
atirando homens no espaço
a velocidades incríveis
Os astros recolhem alguns
ainda que a maioria se perca
- Manicômios Siderais -
Só os grandes bruxos imortais
viverão nos astros
irão embora levando o carnaval!
O picadeiro ficará vazio
cheio de palhaços sem graça
dançando em volta de fogueiras apagadas
para as arquibancadas
- cegas, - surdas, - mudas
repletas de cegos, - surdos, - mudos -
Os feiticeiros estão cansando
A grande viagem de regresso está sendo recomeçada
                                           s
O equilíbrio ã e s  e m i
                     n o xi t     a
Ocírculogiracadavezmaisrápido
* Publicado na Capa do Jornal "A Evolução", de Arroio Grande, RS, em 9 de dezembro de 1972, no auge da ditadura militar, há exatos 40 anos!

AME-O OU DEIXE-O

Nos anos 1970, o ufanismo do slogan "Brasil: Ame-o ou deixe-o", tinha por intenção encobrir uma realidade cruel que o país vivenciava. A mesma realidade que vitimou o estudante Edson Luiz, no Calabouço, o jornalista Vladimir Herzog, numa prisão, e o engenheiro Rubens Paiva, no DOI-CODI, entre tantas outras vítimas da ditadura. As versões oficiais eram tão pantomímicas que, não obstante a sisudez dos militares, estavam transformando o País num circo.
Por aqui, no Arroio Grande, já se falava sobre isso, sobre o Circo.