A releitura de Groelândia, do Basílio Conceição, música dos anos 1970, pelo Edu Damatta, neste fim de ano do fim do mundo, conta com paisagens pampeanas e imagens dos poemas das paredes da casa do Pedro Bittencourt na Praia do Hermenegildo, além da musicalidade do próprio Caboclo e do luxuoso sax do Daniel Zanotelli. Para ouvir e guardar, para além do dia 21.
sábado, 15 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
CIRCO (9/12/1972) - HÁ 40 ANOS!
CIRCO
Sérgio
Silveira Canhada
O
círculo monstruoso
circo
de palhaços trágicos
-
máscaras esfarrapadas -
gira
cada vez mais rápido
atirando
homens no espaço
a
velocidades incríveis
Os
astros recolhem alguns
ainda
que a maioria se perca
-
Manicômios Siderais -
Só
os grandes bruxos imortais
viverão
nos astros
irão
embora levando o carnaval!
O
picadeiro ficará vazio
cheio
de palhaços sem graça
dançando
em volta de fogueiras apagadas
para
as arquibancadas
-
cegas, - surdas, - mudas
repletas
de cegos, - surdos, - mudos -
Os
feiticeiros estão cansando
A
grande viagem de regresso está sendo recomeçada
s
O
equilíbrio ã e s e m i
n o xi t a
Ocírculogiracadavezmaisrápido
* Publicado na Capa do Jornal "A Evolução", de Arroio Grande, RS, em 9 de dezembro de 1972, no auge da ditadura militar, há exatos 40 anos!
AME-O OU DEIXE-O
Nos anos 1970, o ufanismo do slogan "Brasil: Ame-o ou deixe-o", tinha por intenção encobrir uma realidade cruel que o país vivenciava. A mesma realidade que vitimou o estudante Edson Luiz, no Calabouço, o jornalista Vladimir Herzog, numa prisão, e o engenheiro Rubens Paiva, no DOI-CODI, entre tantas outras vítimas da ditadura. As versões oficiais eram tão pantomímicas que, não obstante a sisudez dos militares, estavam transformando o País num circo.
Por aqui, no Arroio Grande, já se falava sobre isso, sobre o Circo.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
AME-O E DEIXE-O...
O
programa “Louco por elas” exibido semanalmente pela Rede Globo (e
que eu assisto, confessadamente, apenas para ver a Deborah Secco),
surpreendeu no último episódio, ao trazer a presença da Maria Gadú
que cantou, junto com parte do elenco, a esquecida “O seu amor”,
uma canção do Gilberto Gil de 1976, interpretada pelos “Doces
Bárbaros”, extraordinário grupo formado por Caetano Veloso, Gal
Costa, Maria Bethania e o próprio Gilberto Gil.
Na
letra, Gil se utiliza de um slogan criado pela ditadura do período
(“Brasil – Ame-o ou deixe-o”)* para fazer um jogo de
palavras com o amor e com as possibilidades de relação que a gente poderia ter com o sentimento.
A
canção (que eu não escutava há uns 20 anos, no mínimo) é realmente
linda, um primor na sua estruturação, já que transita entre o
simples e o profundo, tendo sido magistralmente interpretada pelos
baianos à época, sendo agora revigorada na voz da Maria Gadú.
A
página não tem o costume de postar links por aqui, mas a releitura de “O
seu amor” me fez buscar a versão original de 1976; vale a pena
escutar, pelo brilho, pela arte e pelo recado da composição (e isso
que a Deborah Secco não era sequer nascida naquela época...).
O seu amor
Ame-o
e deixe-o
Livre
para amar
Livre
para amar
Livre
para amar
O
seu amor
Ame-o
e deixe-o
Ir
aonde quiser
Ir
aonde quiser
Ir
aonde quiser
O
seu amor
Ame-o
e deixe-o brincar
Ame-o
e deixe-o correr
Ame-o
e deixe-o cansar
Ame-o
e deixe-o dormir em paz
O
seu amor
Ame-o
e deixe-o
Ser
o que ele é
Ser
o que ele é
Ser
o que ele é
*
O slogan "Brasil
- ame-o ou deixe-o" foi
mais uma das canalhices do regime militar (1964-1985). Para impedir a
contestação dos que se recusavam a aceitar o arbítrio, o
autoritarismo, a tortura e as mortes patrocinadas pela ditadura, os
golpistas de 64 criaram tal bordão (que, incrivelmente, circulava
por todas as escolas e instituições governamentais do País)
pretendendo, em última análise, transmitir o seguinte recado: ou
vocês aceitam o país como ele é (isto é, com um governo
ditatorial) ou se mudem daqui, questionar é que não pode. Deu no
que deu...
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
A ARTE DE ZÉ DARCI NA CÂMARA MUNICIPAL DE PELOTAS
Depois de apresentar o seu trabalho em 2010 na Biblioteca Pública Pelotense, onde participou da Mostra "Caminhos da Fronteira" junto com os conterrâneos Márcia, Marília e Pedro Jr (última foto), o artista plástico arroio-grandense José Darci expõe a sua obra agora na Câmara Municipal de Pelotas, dentro das comemorações da Semana da Consciência Negra.
Entre as diversas telas de Zé Darci, destaque para o conhecido "Fome Zero" (1ª foto), quadro que o artista pretende um dia entregar para o Presidente Lula, como reconhecimento às reformas sociais promovidas no País pelo ex-primeiro mandatário da nação
A exposição da obra de Zé Darci na CMP permanece até o final de semana.
Fome Zero
Zé Darci, na BPP, em 2010
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
BASÍLIO, PEDRO, TRIBUTO, SAHARAU...
Finais de semana de homenagens aos artistas de Arroio Grande Basílio Conceição e Pedro Bittencourt - no Centro de Cultura de AG e no Diabluras, em Pelotas
Cartaz da sexta happy, Saharau no Diabluras
Fernando Cassal e Edu Damatta
Soninha Porto e Marcela Mescalina
O Poeta Pedro Jayme Bittencourt
O músico Basílio Conceição
Janis Joplin Conceição dançando a obra do pai, no Centro de Cultura - Arroio Grande
Kininho Dorneles e Grupo - no Centro de Cultura Basílio Conceição
Sandro Campello, Gregory e Grupo - no CCBC
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
ARROIO GRANDE - FOTOS ANTIGAS (I) - A DR. MONTEIRO
A Dr. Monteiro em dia de parada - Em frente, o "Cine Marabá"
Calçamento da Dr. Monteiro - Em frente, "Consultório Médico"
Protesto de arrozeiros na Dr. Monteiro - Na esquina, o "Café Rex"
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
ARROIO GRANDE - FOTOS ANTIGAS (II) - BARES
Alguns bares do Arroio Grande nas décadas de 60, 70 e 80.
(A última foto está muito avariada, mas vale como registro)
Bar "Meu Cantinho" (Alicate) - Anos 1960
Interior da Top Set (Eraldo) - Anos 1980
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
ARROIO GRANDE - FOTOS ANTIGAS (III)
O Posto Atlantic, na Av. N. S. da Graça, esq. Herculano de Freitas, próximo à ponte que dá acesso ao atual Bairro Promorar
Chegada do Circo em Arroio Grande
Junta de bois trazendo o motor para a Usina Elétrica - Rua Mal. Floriano esq. Júlio de Castilhos
domingo, 14 de outubro de 2012
À FALTA DE... (EM BUSCA DA CASA UM)
Não consegui os
registros da “Casa Um” do Arroio Grande, assim considerada aquela
moradia que deu início ao nucleamento urbano da localidade.
As residências do
quadrilátero central da cidade foram quase todas elas alteradas; as
que se mantêm intactas são construções da segunda metade do
Século XIX, quando o povoamento da Vila do Arroio Grande já tinha
para mais de meio Século, iniciado que foi entre 1798 e 1803, no
dizer dos nossos historiadores.
A habitação mais
antiga a permanecer com a sua constituição original continua sendo
a hoje chamada “Casa da Chácara” (acima), uma construção em estilo
colonial português, “com fortes traços da arquitetura açoriana
do final do Século XVIII e início do Século XIX, localizada cerca
de 1 km do centro de Arroio Grande, em frente ao Bairro Promorar”,
conforme consta de um folder de divulgação do local.
Trata-se de local que
serviu de residência à uma das primeiras famílias instaladas na
localidade, e, segundo consta, foi nos fundos da habitação que se
deu início à construção daquela que tinha a pretensão de ser a
primeira Igreja do Arroio Grande, sendo, porém, “derrotada” pelo
surgimento de uma Igrejinha sobre rodas, que, sempre segundo a
lenda, teria sido instalada no lugar onde mais tarde viria a
erguer-se a atual Igreja Matriz da Vila do Arroio Grande.
Os primeiros registros
conhecidos da “Casa da Chácara” dão conta de que na segunda
metade dos anos 1800 a residência pertencia a Balbina Maria de
Moura, que em 1905 vendeu a habitação para Leandro Máximo Pereira,
inexistindo, entretanto, notícias dos primeiros moradores da
propriedade.
De qualquer forma,
trata-se de uma das construções mais antigas da localidade, com parte do telhado colonial original e paredes de pedra calcárea,
ficando, porém, atualmente afastada do núcleo urbano da cidade,
cuja “Casa Um” permanece ainda sendo um mistério.
Na sequência,
fotografias da Igreja Matriz do começo do Século XX (+ ou - 1900),
do comércio central (mesma data), e fotos de casarões antigos do
Arroio Grande, inclusive do “Sobrado dos Lisboa” (última
fotografia), construção relativamente nova, mas que se inclui aqui
pela arquitetura e elegância do local.
A beleza da cidade
ainda sobrevive, basta ter olhos para vê-la!
Igreja Matriz - Atual Rua Herculano de Freitas
"Café Central" - Atual Rua Dr. Monteiro esq. Dionísio de Magalhães
1ª Câmara de Vereadores - Rua Herculano de Freitas esq. Dr. Monteiro
Casa - Rua Zéca Maciel esquina Júlio de Castilhos
"Casa da Chinininha" - Rua Herculano de Freitas
"Sobrado dos Lisboa" - Rua Herculano de Freitas esq. Osmar Machado
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
DIREITO E ELEIÇÕES
(populus sapiens consentium ius)
Traduzir do: Inglês
Escreva texto ou o endereço de um Web site ou traduza um documento
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
ELEIÇÕES-MEMÓRIA
Hoje à noite tem debate na Escola Aimone Carriconde entre os candidatos a Prefeito de Arroio Grande, Mariela Ferreira (PDT) e Henrique Pereira (PP).
Em 1992, há exatos 20 anos, portanto, também houve debates entre os candidatos à Prefeitura da "Cidade Simpatia" - na época, Ermínio Lucena, do PDT, João Carlos "Chorê", do PDS, e Pedro Bittencourt Jr, do PT.
Na última foto, fala Elias Boabaid, apresentador do debate do CDL, na AABB;
Na foto do meio, fala Pedro, no debate realizado no mesmo local;
Na primeira foto, fala o Ermínio, em debate realizado na Escola Aimone.
Em todas as situações, o Chorê somente observa, quietinho, quietinho; como se viu, ele não precisou falar muito para ganhar aquela eleição...
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
DIREITO E FUTEBOL
Dia
desses, assistindo na TV uma partida de futebol, descobri que o nome
de um time de Buenos Aires, o Vélez Sarsfield (Fundação:
1º/1/1910, 45 mil sócios), é uma homenagem ao grande jurista
argentino Dalmácio Vélez Sársfield – ministro dos
governos Mitre e Sarmiento – e que foi o responsável pelo Código
Civil argentino de 1869, cujos dispositivos, na sua maioria,
permanecem em vigência até hoje, quase 150 anos depois.
Que
rica homenagem, que belo reconhecimento, que exemplo! Especialmente
para nós, operadores do Direito, que gostamos de futebol – um
esporte notadamente popular –, mas que vivemos no mundo da toga, da
gravata, do formalismo das audiências e dos tribunais.
Confesso
que fiquei com ciúmes dos argentinos, com inveja dos torcedores do
Vélez. Fiquei pensando por quê isso nunca aconteceu por aqui, por
quê nenhum Clube brasileiro se interessou em dar o seu nome a um
jurista, a um laborador do Direito pátrio.
Passei
a imaginar equipes históricas, clássicos de rivalidade insuperável,
jogos inesquecíveis.
Times
antigos, como o Clóvis Bevilacqua, por exemplo, fariam
partidas antológicas contra o Rui Barbosa, ambos nascidos
praticamente na mesma época. Já times técnicos, como o Sobral
Pinto, disputariam jogos renhidos contra o Evaristo de Moraes,
enquanto que equipes gaúchas, como o Osvaldo Lia Pires ou o
Omar Ferri, seriam sempre fortes, nas disputas locais ou
nacionais.
Todavia,
não tenho a menor dúvida de que o grande clássico brasileiro, o
super derby, o maior dos encontros, seria mesmo o duelo Pontes de
Miranda x Nélson Hungria que deveriam fazer todos os anos a
abertura oficial do campeonato, estádio cheio – a rivalidade entre
civilistas e penalistas – com transmissão ao vivo em tevê aberta
para o país inteiro. Na preliminar, Miguel Reale contra Hely
Lopes Meirelles, filosofia x administrativismo.
Que
espetáculo, que maravilha seriam os jogos entre equipes com os nomes
dos juristas, que, entretanto, jamais aconteceram no Brasil.
Aliás,
até nos torneios promovidos pela nossa OAB, onde os times adotam
nomes prosaicos, previsíveis – como Arsenal, Barcelona, Milan –
deveriam aparecer nomes consagrados do Direito local, numa homenagem
àqueles que, em algum momento, contribuíram para a formação da
nossa escola de bacharéis.
Já
pensaram numa partida entre Ápio Cláudio de Lima Antunes e
Mozart Victor Russomano? Ou
numa final entre familiares: Bruno de Mendonça Lima e
Alcides de Mendonça Lima? E com a Rosah fazendo parte
do trio de arbitragem! Que jogos, colegas, que jogos!
(Já
o Aldyr Schlee e o Gilberto Quadrado, gostariam,
logicamente, de emprestar os seus nomes para os times um pouco mais
tarde, por enquanto seria o momento de ficar apenas assistindo os
jogos da arquibancada, espiando e palpitando).
É
claro que tudo tem um porém, um “senão”, uma limitação, pois
que, especialmente em se tratando de juristas, a ética, a equidade e
a disputa justa deveriam estar garantidas, inclusive na questão
econômica, nos investimentos de cada equipe.
Neste
aspecto, num campeonato nacional da atualidade, haveria grande
reclamação quanto a força do time de um Márcio
Thomáz Bastos, por exemplo; afinal,
patrocinado pelos honorários do Cachoeira e pela turma do mensalão
não teria a menor graça. Mas teria todo o direito!
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
1912-2012
A Faculdade de Direito da Universidade Federal de
Pelotas está comemorando 100 anos (Fundação: 12/09/1912).
Lá passei cinco inesquecíveis anos da minha vida, de
1979 a 1983.
A foto acima é mais ou menos dessa época, do
final dos anos 70.
Aqui no blog já escrevi timidamente a respeito do tempo da Faculdade, link:
No texto (porque a postagem foi dirigida ao pessoal de Arroio Grande), faltou eu fazer referência aos Schlees - pai e
filho -, ao Gastal, ao Angelo Zanatta, ao Claudiomiro, aos companheiros do Centro Acadêmico (Diretório), a
turma do Sanatório (a Boate) e a tantos outros com quem tive o
prazer de conviver naquele período.
Parabéns a velha Faculdade do Direito, aos seus professores, alunos, servidores e a todos que passaram por lá. Parabéns a
todos nós!
domingo, 9 de setembro de 2012
SERGINHO DA VASSOURA
Artista de rua, genuína alma popular, Serginho da
Vassoura é a grande novidade da música pelotense, com suas canções
diretas e ao mesmo tempo plenas de metáforas, irônicas e
contundentes, que fazem rir e remetem à uma reflexão sobre o nosso
cotidiano.
Depois
de lançar o seu Ilusionismo
Sonoro, com o auxílio
luxuoso do pessoal do Ponto de Cultura Outro
Sul, Serginho parte
agora para Londres, onde vai viver o seu sonho de artista, embora,
como ele mesmo adverte através da dedicatória de uma das suas
canções – “esta música é para as pessoas que sonham e se
esquecem de viver”. Viva Serginho!
SONHO
“Quem
vive de sonho
é
padaria
quem
acorda assustado
mal
amado
todo
mijado
está
acordado...
A
moça da padaria
quis
me dar, mas não pode me dar
um
sonho
porque
o gerente é assim enrustido
esse
tipo de gente
que
não gosta de gente...
8
horas da noite
a
padaria fecha
e
todo sonho velho que sobrou
eu
ganho escondido
pela
janela...
(Ele
sempre vem quente,
depois
fica gelado,
é
f... quando molha só um lado
'acorda
pra cuspir'...)”
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