
Depois do atalho por Santa Isabel, já na BR, lá pela altura da Capilha, o Opala Azul do Pedro acusa a iminente falta de gasolina; o Posto Ipiranga, no Taim, torna-se parada providencial.
Chegados ao Posto, mais cerveja, o Pedro pede Vinícius de Moraes, o Zé Paulo tira o violão do porta-malas, o Zéca prepara o vozeirão e a cantoria rola solta em plena beira de estrada.
Terminado o abastecimento, o Avirelis, declamando o “Soneto de Fidelidade”, se antecipa ao Pedro para pagar a conta. Aproxima-se do bombeiro, retira o equivalente a uns R$ 200,00 (em valores de hoje, óbvio) e alcança as notas, exclamando tropegamente: – Podes ficar com o troco, que hoje eu ‘to’ apaixonado! O rapaz, olhando àquele bando de loucos, já de saco cheio com a bagunça, responde ao Camões: - O Sr. ta é bêbado, a essa hora da manhã! O Avirelis espicha a mão, retoma o dinheiro, conta nota por nota e entrega o exato valor marcado na bomba para o funcionário: - Ta aqui o pagamento certinho; me dá o troco de volta que tu não tem sensibilidade. E embarca no Opala, ofendidíssimo.
Então não dava para perceber que tudo aquilo era uma demonstração de paixão? Paixão pela arte, paixão pela liberdade, paixão pela vida... Onde já se viu confundir tamanha paixão com bebedeira, onde já se viu!?!
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Verão de 1986, preços congelados pelo “Plano Cruzado”, saímos eu, o Birinha do Gita, o Kiko da Candinha e o Neneco Silveira a viajar pelo País e fomos até a Praia de Guarapari, no Espírito Santo. Lá, íamos sempre ao mesmo Bar, somente para beber; coisa de uns quarenta chopes e um litro de uísque por noite, na média.
Já nos preparávamos para sair quando o nosso garçom de todos os dias, um chileno de Valparaíso, percebendo que iríamos embora, virou-se para o gerente e gritou, num portunhol claríssimo: – Acá! Mesa once para los muchachos! – dizia, apontando para nós – E pide cuatro filés com fritas e no necessita servir, que com ellos yo me acerto! – garantiu, o que acabou mesmo acontecendo.
Ao final, não comemos nada, pagamos o mundaréu de bebidas e o Neneco deu a gorjeta de sempre. E o chileno acertou a conta, fácil, fácil, fácil...




















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